AVISO: CONTEÚDO ADULTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Guloseimas ou Travessuras?

HAPPY HALLOWEEN






Guloseimas ou Travessuras?
Maria Quitéria

Quando dispo meu manto
ao teu espanto
chamando teu nome
e te invoco: vinde homem!
eu te remexo por dentro
te banho de ungüento
de gozo
gostoso
risco meu pentagrama
me deito na grama
e acendo um incenso
sem senso
meu dedos fazem o traçado
do pêlo enrolado
da fenda
em renda
pingando na coxa
quente
rente
da cabrocha
que deita a crina
e se bolina
virada pra lua
nua
o galope do cavalo
é ouvido no teu peito
retumba como um badalo
te remexendo no leito
o dedo é a adaga
que afaga
a vela em sua chama
te chama
o olho focado
caldeirão aceso
meu homem teso
em outro estrado
e eu o trago até mim
espalhando o meu cheiro
doce, de jasmim
exalado no teu travesseiro...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

fazedora das tuas chuvas

Ouça:


 Vander Lee - Românticos





"... romântico
é uma espécie em extinção
românticos são loucos
românticos são poucos
desvairados
românticos são limpos
e pirados
como eu...
(como nós)"
(Nado Siqueira)


fazedora das tuas chuvas
Maria Quitéria

... te encontro
naquele encontro
duro e teso
coeso
te deixo louco
por pouco
derramo o gozo
gostoso
meu gosto na tua boca
que, louca
brinca de língua ao acaso
meu caso
amante lanhando fúria
luxúria
que me chama de amor
no ardor
de gata arisca
que risca
a linha do destino
desatino
no vai e volta
não solta
no vai e vem
teu bem
na chama da foda
sem poda
fazedora de chuvas
e luvas
de encaixe no dedo
segredo
paixão tão amiga
antiga
demônio e bicho
teu nicho
de foda e poesia
anarquia
num rock pesado
dobrado
sabonete e chuveiro
aguaceiro
nota em violino
um menino
passando a vara
na tara
no dentro mais quente
no dente
esfregando no ponto
pesponto

em tear de alegria
de pele e folia
falo erguido, apogeu
num lance verdade
onde tua tempestade
sou eu

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fernando e tantas Pessoas

Ouça:
Caetano Veloso - Fernando Pessoa




"...E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar."
(Fernando Pessoa)



Fernando e tantas Pessoas
Maria Quitéria

Dos tantos mares que minhas íris já viram, a última onda levantará em tubo e arriscarei.
Dos tantos ares que meus cabelos sentiram, a última rajada estará à queda e ao corpo.
Dos tantos chãos que meus pés caminharam, em Santiago ainda pisarei.
Das tantas terras que sujaram minhas unhas, a mais escura ainda não me cobriu, nem cobrirá.
Dos tantos vermelhos que aqueceram minha pernas, a última fogueira ainda será acesa no deserto.
Dos tantos desvãos que minha alma perscrutou, o maior ainda está por brilhar-me.
Dos tantos corpos que deitaram em meus sonhos, o último tomará o que teve o primeiro.
Das tantas paixões que me cobriram em manta, a eterna será feita de retalhos.
Dos tantos gozos que me escorreram, o último ainda me inundará.
Dos tantos amores escritos no coração, o penúltimo dorme em meus braços.
Dos tantos nomes que se juntaram ao meu, o derradeiro está no risco da palma da minha mão.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Teu norte no meu sul

Ouça:
Foo Fighters - Times Like These (Studio Acoustic)




"... Eu sou uma rodovia de mão única
Sou uma estrada para longe
Que segue você de volta para casa
Eu sou um poste aceso
Sou uma luz ofuscante
Piscando sem parar..."
(Foo Fighters)



Teu norte no meu sul

Maria Quitéria

Nesse nosso lance todo
em meio a todo um todo
quando lobos saem à caça
e mulheres se dão de graça
nesse espetáculo de circo
onde se paga só mico
se arrega, se deita de veneta
sem o gosto do leite da teta
a gente cria um outro canto
com um canto mais suave
meio asinha de ave
meio chorinho de encanto
fazemos canção e loa
prosa e verso sentido
o coração fica na boa
e a gente mais atrevido
o tesão dá a nota da pauta
e você dedilha as cordas
eu brinco com tua flauta
e o gozo mela nas bordas

tecemos um pano tão forte
pra com ele nos cobrirmos
escondendo teu apontado norte
no meu fundo sul de abismos...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

sábado, 4 de outubro de 2008

Me deixe deitar na tua cama...

Ouça:
 caetano veloso - à flor da pele



Me deixe deitar na tua cama...
Maria Quitéria

... sonhe comigo pelas tuas noites
deixe que meu cheiro te adentre
meu toque arrepie em leves açoites
subindo pelas tuas carnes e te entre
deixe minha imagem tomar conta
sinta o suor pingando no teu peito
escorrido dos meus seios na monta
do corpo que pesa desejo no teu leito
deixe a carne sentir os espasmos
o falo acobertado pela macia vermelha
e irrompa um dique de orgasmos
pela gata que desceu da tua telha
reviva cenas de carinho e trocas
dedilhe as cordas do instrumento
sinta o etéreo na força das entocas
e me beba direto do pensamento
acorde com a visão dessa imagem
pelos lençóis melados de riacho
do sêmen jorrado nessa viagem
comigo acavalada em você, macho...


Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dona do Raio

Ouça:
 Maria Bethania - A dona do raio

"... O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia
Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro, vira um corisco esse meu coração
Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão..."
(Dorival Caymmi)


Dona do Raio
Maria Quitéria

Risco teus céus com minha tempestade,
trago os ventos a despentear tuas idéias;
sou a guerreira que te mostra a verdade
nos rompantes do meu desejo de falésias.

Trisco tua carne com a fúria do vendaval,
queimando tua pele com o sal dos amores,
criando o olho do furacão em meu bacanal
nas fortes coxas abertas aos teus suores.

Sou a tua bênção e tua sina mais desvalida,
o corisco dos templos clamados, imemoriais;
sou a canga, a asa, entidade pura e atrevida,

de rosto coberto e corpo de vento e leveza,
na vaga da tua pele de onde vertem os sais
do teu sêmen que jorra orgasmo e pureza.

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Como um Dejàvú

Ouça:
 Van Halen - Take Me Back (Deja Vu)



Como um Dejàvú
Maria Quitéria

Ele me tocou com o velho sentimento
que eu trazia no peito, cheio de saudade,
veio com mil tormentas em movimento
devastando a estrutura da minha cidade.
Mordeu as carnes todas da minha anca
voltou do longe, de onde havia partido.
me lanhou com a fúria de quem desbanca,
entrou nos meios de onde não devia ter saído.
Escorregou pelos antigos sonhos da fantasia,
jorrou o sêmen quente dos mistérios da criação,
trouxe o corpo de encaixe da minha orgia
entrando e saindo na sanha do meu tesão.
Me chamou de volta, como quem é dono,
como quem comanda a batalha e a conclui,
me acordou a carne de um profundo sono,
sussurrou meu nome ao gozo e eu... eu fui...

Simultâneo:
http://blog.ifrance.com/versosprofanos
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Traduzindo-me

Ouça:
 Chico Buarque e Fagner - Traduzir-se



Traduzindo-me
Maria Quitéria

Das tantas que me habitam e me movem,
das putas, das vagabundas e das mundanas;
sou aquela, o entre e o meio das que servem
com a leveza e as coxas das belas mucamas.
Entre a perigosa e a que mata sem piedade,
entre a lady e a que derruba cavalo bravo,
estou no pêndulo entre a mentira e a verdade,
entre a cruz, a espada, o martelo e o cravo.
Dentre o amores e os ódios que me habitam,
entre o pecado e a desistência do perdão,
faço o meu número no teatro dos que incitam
e que vivem e morrem por um veneno ou tesão.
Entre a mulher, menina ainda, que sonha verso
e faz poesia para o menino amado e travesso,
sou o meu próprio espelho virado e transverso;
de carne dura, o olho astuto e a fúria do avesso.

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cativa do teu corpo

 


Cativa do teu corpo
Maria Quitéria

Teu corpo nu e meu para a fome dos meus olhos
para o meu apetite desmedido de farra e orgia,
para o meu deleite, teu leite jorrado aos molhos,
meu demônio que canta a mais devassa melodia.
Meu corpo sôfrego de prazer e entregue ao teu,
o mel escorrido, besuntando dedos e vontades,
a noite dos sonhos mais escura que todo o breu
clareando gozos partilhados de tantas saudades.
Tua mão, feito uma cantiga, entoando as notas
dos órgãos expostos nas minhas carnes e pêlos,
meu mar entre as coxas pontilhando as gaivotas
dos teus dedos que sobem e descem em duelos.
A pele contra a pele, fomentando o jorro quente,
que escorre pelas vias das estrelas onde eu bebo
com a ânsia de uma louca ensandecida, delirante,
o teu prazer que me é dado e que liberta recebo;

aos grilhões do teu corpo inteiro meu e amante,
dentro da veia, na carne e na alma que te cedo.

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fera inquieta



 



Fera inquieta
Maria Quitéria

Ele me espreita com seus olhos de animal
- um lobo de dentes arreganhados -
buscando a carne das entranhas e o sal
que me escorre pelos temporais jorrados.
Ele me vem nas noites sem que eu espere,
traz toda devassidão ao corpo que assanha
e, por mim, não há quem proteja ou zele,
quando me entrego ao prazer da sua manha.

Sou a outra, a que ele carrega em segredo,
um bicho que, como ele, sai à caça e luta;
a mulher que ele chama no estalar do dedo
e que se entrega como a mundana mais puta.

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

Eu ainda digo que te amo


Ouça:
http://www.tempoesia1.hpgvip.ig.com.br/midi/nacional/fafa_de_belem/Historia_de_amor.mid


Eu ainda digo que te amo
Maria Quitéria

Não, não direi que não te amei,
direi outras coisas ainda, e mais,
que te quero e das noites que te sonhei
ainda vivo aquela guerra sem ter paz;
não, não direi que não tenho ciúme,
nem que não mais me importo,
direi que morro e vivo de queixume
fingindo ser a Maria de cada porto;
direi que te desejo entre as coxas,
que quero a tua mordida e o teu falo
mais as deliciosas marcas roxas
e o grito urrado, que hoje calo;
direi que meu coração ainda dispara
quando você chega e me vem dissimulado
que meu corpo ainda se mexe com tua tara
e que gozo como se estivesse ao meu lado;
que da minha fogueira ainda é a chama,
o cigano do meu oásis, hoje só deserto,
o devasso homem que ainda me inflama
e que eu desejo ter por dentro e perto;
não, não direi que nada mais quero,
nem que não te sonho em minha cama,
não direi que não mais te espero
e que não sou aquela que te ama...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

'Fidelity'

 



'Fidelity'
Maria Quitéria

"... Eu nunca amei ninguém completamente

Sempre foi com um pé no chão
E por proteger de verdade meu coração
Eu me perdi nesses sons
Eu ouço na minha mente
Todas essas vozes
Eu ouço na minha mente todas essas palavras
Eu ouço na minha mente toda essa música..."
(Regina Spektor)

Te dou meus passos ao teu encontro
- meu caminhar lento pela tua orgia -
meus braços em laços ao pesponto
da tua sede de gozo e fantasia.
Te dou os meus seios para sorver,
minha língua lasciva pra tocar a sua,
minha pele para arranhar e morder,
minha coxa de dourados pêlos e a nua.
Te dou a poesia mais densa e profana
tatuada na carne a que me desvende,
gemo e urro feito uma leoa mundana
para o teu assanho e o que te acende.
Te dou o ondulado do reverso do parto,
a monta em mel onde te liberto e amarro,
a boca saciada no riso do gozo mais farto
e o silêncio entre o teu uísque e o meu cigarro...

http://blog.ifrance.com/versosprofanos
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Esboço


Esboço
Maria Quitéria

Pinte-me com as cores da tua imaginação,
- faça-me em arco-íris na tua aquarela -
dispa-me da vergonha, pincele-me de tesão
a que eu seja, dentre todas, a mais bela.

Toque-me com as cerdas do teu pincel,
dando-me os contornos avolumados da lua
nas ancas arredondadas, brilhando ao céu
do teu olhar que me vê assim tão nua...

Simultâneo:
http://blog.ifrance.com/versosprofanos
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

domingo, 7 de setembro de 2008

Sob os domínios dele

 simone - nova mulher




Sob os domínios dele
Maria Quitéria

Ele me chama pra foda
diz que eu sou a gostosa
a felina gata manhosa,
leoa do pelo sem poda;
põe o pau todo pra fora
diz que com ele estoura
as pregas e a nervura,
balança sua pica dura
e mete com toda vontade;
o pau reluz e mais mela
todo cheio de vaidade.

Ele estoca e chama no gozo
urro e o macho gostoso
soca o quanto cabe nela;
ele mete fundo e me fode
depois, como quem pode,
ordena que eu fique de quatro;
afunda no rabo e explode,
o cacete que eu idolatro...

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

Partilha de amor e sexo


Partilha de amor e sexo
Maria Quitéria

Também penso em você e em nossa magia,
na maravilha do sexo e do amor que temos;
das nossas trocas em delírio em plena orgia,
dos momentos de prazer quando nos vemos.

Também inalo o seu cheiro quando me deito,
quando as asas do vento me trazem o deleite
de tocar-me por baixo, arrepiando-me o peito
ao ofertar-me sem pudor o jorro do seu leite.

Também o amo quando me descem as águas
pelo delirante templo profanado de tanto sexo,
quando me dá o prazer da carne em deságuas
nesse encaixe perfeito do côncavo e o convexo...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

sábado, 6 de setembro de 2008

Leoa Selvagem


Leoa Selvagem
Maria Quitéria

Eu arranho a carne dele;
brigo, urro no queixume
me descabelo por aquele
- inteira louca de ciúme -

Arrepio arisca e descambo,

mordo sem pena e arranho,
depois acaricio e lambo
esquecida de tanto lanho
quando ele mostra o falo duro
e toca com gosto o cacete,
me querendo em todo furo,
acariciando de leve o rolete.
A leoa já vira gata mansa
ronronando de rabo erguido
querendo o bichão soerguido

Dona dos teus domínios


Dona dos teus domínios
Maria Quitéria

Lanho sem pena teu corpo nu e meu
- dona que sou da tua loucura -
da tua doença sem cura,
pelas coxas firmes do meu templo ateu;
é assim que te domo e mando,
é assim que obedeces ao comando
da dama vermelha sem atino,
quando chego te ferindo a coxa,
deixando uma marca roxa
no perfurar do meu salto fino.
E te subjugas ao poder da mulher
da libertina que adentra teus domínios,
e tu imploras por mais querer,
por mais dor a te cobrir de fascínios,
onde exponho tua carne ao rasgar o pano
fiado dos desejos que minha volúpia tece;

sou eu, o demônio mais vil e profano,
que bebe teu sangue e te enlouquece.

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Que venham as tempestades

 




Que venham as tempestades
Maria Quitéria

Dos meus olhos elas caíram
misturando-se aos gozos de antes
quando, secretos amantes,
eles tanto nos fluíram.
Os vendavais do sentimento
ainda escorrem-me pelas coxas,
nas intrincadas marcas roxas,
que minhas unhas cunham sem alento.
Toque-me como antes, como outrora
faça dos ventos os mesmos furacões
que me trouxeram ao útero uma aurora
surgida na manhã com o sol dos tesões.
Tome de mim as chuvas derramadas
com teu nome entre dedos
passados nas carnes fervilhadas
dos espasmos enevoados dos segredos.
Chova em mim a mesma loa pungente,
cantando aquela única canção
que me embalava horas de tesão
fazendo, de mim, uma enchente...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

sábado, 30 de agosto de 2008

Bicho Rei


Bicho Rei
Maria Quitéria

Ele vem e me arranha as costas,
já chega me levantando a saia,
me faz umas devassas propostas
e diz que eu sou da sua laia;
me coloca a mão no macio,
diz que é tempo quente de cio
e vai se deitando no chão;
me puxa como eu fosse tão leve
e eu monto nesse que se atreve
a imputar desvario tesão;
ele deixa o engate armado,
diz besteiras feito um tarado,
depois diz que é o meu dono;
me arranca águas bem quentes
enquanto me mete os dentes
nos bicos duros que entono;
ele tem esse jeito esquisito
é inteiro um homem bonito
quando deita assim pela relva,
se eu pudesse confessar, eu diria,
que ele é o Rei da anarquia;
o leão que me abate em sua selva...

Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vem anjo, vem que eu te quero bem...


Vem anjo, vem que eu te quero bem...
Maria Quitéria

... assim, assim, todo safado
fazendo tua loa cruzar fronteiras
brincando com as rameiras
fazendo mais doce o seu trotado
desse jeito que só você faz;
mocinho com cara de bom rapaz,
bandido armado até os dentes:
capa, espada, asas e entrementes

tem importância nada, não, meu amor
- com você é só love, só calor -
nada de tristezas, ciumeira, melancolia
com você é gozo, farra e poesia
vem sim, vem que eu te quero bem
com esse jeitinho que só você tem
com tua ginga marombeira de santo;
os pés de barro e despido do manto...

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/mquiteria
http://versosprofanos.blogspot.com/