deitei asas no teu leito no teu peito fiz morada largada como um anjo caído fostes tu oh, bandido que puxastes as asas fostes tu a derrocada do anjo sem céu escorrendo um mel na tua boca babada de saliva na esquiva feito senda queixo abaixo o fogo e o facho da minha fenda
fostes tu, oh tirano que despistes o pano que me cobria o sexo e teu convexo entrou na minha entranha numa forma estranha de se apresentar
arrancou penas as melenas os pelos - novelos escuros - nos melados furos de mel e sais conheceu meus demônios minha Legião me fez só mulher de tesão sem véu ao léu
Ele entrou na sala com seus cabelos desgrenhados pelo vento da cidade. Trazia papéis e um olhar perdido. Fiquei olhando para ele por um longo tempo. Ele tinha um cheiro de bicho e um olhar traiçoeiro de tão límpido que era. Ele sempre mexia comigo. Entre as coxas. Fiquei ainda por um tempo perdida em divagações, até que ele me olhou. Fingi mexer nuns papéis e fui tomar café.
Me surpreendi com sua presença logo atrás de mim.
Ele pegou um copo e se serviu de café também. Ficamos nos olhando, sem mais palavras.
Algo nele despertava a loba em mim. Talvez seu olhar menino, talvez a forma dissimulada dele de me querer sem dizer. Sem saber porque fiz, aproximei meu rosto ao dele e o beijei. À princípio apenas toquei seus lábios com os meus. Depois, pelo calor dos lábios dele, entreabri os meus e toquei sua língua com a minha língua. Ficamos numa dança sensual de línguas e cheiro de café. O beijo tomou conta do corpo e, de repente, tudo era só boca. O corpo inteiro estava na boca. A dança, os cheiros, a sensualidade, o desejo; tudo estava na língua, no calor dos lábios, na troca de saliva. A coxa fisgou. Senti seu membro duro de encontro as minhas carnes enquanto a boca fazia um balé, traçava passos e melodias e a canção era uma língua macia deslizando junto a minha. O cheiro de cio misturava-se ao cheiro de café e impregnava nas minhas narinas coladas na pele do rosto dele. Sentindo seu cheiro animal. Aspirando seu suor. Sua pele. Seu gosto. Atordoada, encostei mais o corpo de encontro ao duro corpo que me aquecia. Senti suas mãos nas minhas ancas me trazendo mais pra perto, levantando meu vestido. Toquei seu membro por sobre a calça, tateei o zíper... deixei que o falo viesse livre ao encontro das minhas carnes ardentes. Ele levantou uma das minhas pernas, afastou as rendas que nos afastavam e adentrou. Preencheu. Ofertou mais calor às chamas que já me faziam derreter e expelir lavas. Movimentei. Ele movimentou. As boca... as bocas continuavam sem parar, sem dar trégua. O corpo fazia o movimento das línguas... entrava, saía, rodeava, molhava... senti um jato quente por dentro no exato instante em que os frêmitos do meu gozo me faziam apertar as entranhas e morder sua língua... (MQ)
Há coisas e situações que não demandam palavras. O que acabou de ocorrer foi algo assim. Se tivéssemos falado, se tivéssemos negociado, propondo, discutindo, apresentando opções, talvez nada acontecesse.
Certamente nos bastaríamos em ter vivido juntos alguns momentos de ousadia meramente pensada. Então os cotidianos de cada um retomariam seus rumos. Aquele café, seria só e nada mais que um café.
Seria assim. Quase sempre, na maioria absoluta dos casos em que uma atração se insinua entre seres maduros é assim. Um vislumbre, uma linguagem não verbal, sinalizada pelos olhares sugere algo que se quer muito até, mas por falta de ousadia não se consuma.
Mas dessa vez não foi assim. A faísca brilhando nos olhares suplantou todas as regras e convenções. O desejo se fez soberano. Imperou sobre os dois corpos, até que um gozo mútuo o reverenciasse.
Então, um novo olhar. Sempre os olhares...
Um novo café é proposto, aceito, feito e tomado.
Então: garras na cintura da presa. Dominando-a. Se é que ela pretendesse fugir...
Um olhar fixo nos olhos dela.
Um novo e longo beijo.
Mais um olhar, e uma frase insinuando uma nova proposta:
- Nós começamos pelo fim...
Sem mais palavras, os botões de sua blusa são abertos. Blusa e soutien voam longe.
Seus seios são libertados.
A boca ávida e faminta toma posse deles. As mãos, garras do predador, percorrem seu corpo despindo o que restava de suas roupas. Exploram suas entradas... (O LOBO)
Não, não era sonho, não tinha mais como fugir daquele homem. Ele estava ali e eu também. Eu o queria e ele a mim. Tínhamos experimentado o prazer maior, o gozo, mas ainda havia o beijo por desvendar. Havia um corpo inteiro para ser percorrido.
Meus seios nus sentiram a maciez da língua dele e minhas mãos encontraram o peito másculo, viril. Toquei seu peito e afaguei seus cabelos, puxando a cabeça para mais perto dos seios... Ele mordiscou os bicos e me rendi.
Sussurrei ao seu ouvido que alguém poderia nos ver ali. Que estava escorrendo sêmen pelo chão... Ele largou os bicos com certa relutância. Ajeitou o membro dentro das calças, ainda me tocou entre as pernas e limpou minhas coxas com seu lenço. Me ajudou a me recompor. Me tomou pela mão e saiu comigo pela porta da frente.
Sim. Agora iríamos para o conforto de uma cama. Agora eu me daria inteira a ele e teria o corpo do predador sob meu jugo.
O vento desgrenhava meus cabelos também, enquanto seu carro corria pela cidade e eu sorria ao lado dele... (MQ)
Mal conhecemos as perguntas, que dirá qualquer resposta. Mas sabemos lá dentro, no íntimo, que a resposta estaria talvez no lábio tocado, na língua solta de encontro a outra ou na cantiga dos corpos dolentes, dormentes, sinuando-se em encontros...
Ofereci o beijo, mas escondi a boca. Ofereci o gozo num ventre pulsante e só, minhas pernas se abriram; flor exposta, amor aos montes, às pencas, dedilhado no silêncio. Ofereci o brilho da lágrima nuns olhos fechados no gemido baixo ao travesseiro. Ofereci a pele que arrepiou-se ao lençol sem o braço com pelos, sem o grisalho entre meus dedos, sem a barba a me riscar. Ofereci um amor estranho que piscava como luzes numa cidade desconhecida de um corpo que nunca toquei.
Quando a intensa dor toma conta do meu peito e a cidade ofusca o verde dorido das minhas íris, vou de encontro a um outro verde e claro leito, das terras fecundas e das flores mais felizes. Meu corpo despido monta num cavalo que corre saindo a galope sem que nem eu me dê conta e trilha caminhos alheios e vai indo, percorre canaviais, estradas empoeiradas, comigo à monta. Minha devassidão clama por um corpo distante de um homem que buscou-me em uma outra era; - um adendo na minha vida, um delicado amante - um homem de porte, um louco, uma apaixonada fera, fazendo embrenhar-me por uma outra quimera; em busca de suas mãos abertas e tão querentes. Então altero os planos dos meus nortes tão rentes numa cavalgadura louca que me leva pelo desejo com meu corpo escorregando no duro lombo que passa macio entre as coxas em seu latejo até que eu me esqueça do tamanho do rombo e me desfaça num desmedido gozo de paixão, chamando aquele que é dono do meu verso, que é a canção da terra dessa cidade em reverso, onde viajo acompanhada de sonhos, Deus e solidão...
Teu corpo rijo e entregue é um templo que devasso com meu firme traço com minha volúpia como uma dança cadenciada uma rúpia da pele ao cerne do norte à estrada
é meu canto mais profano de deusa sem um Olimpo de uma vaca virginal ou qualquer outro animal uma pérola sem garimpo ou a faca ao teu dano - ao teu corpo, templo mundano - com meu fogo corrido no limpo
esse meu rito profanado no riste dessa tua espada onde ajoelho sussurrando a oração com a boca vertendo saliva passada na tua glande ao prazer de mais nada ao desejo que criva um sal tão suado dum derradeiro tesão é o confronto da minha luta pelo sêmen jorrado na puta no orgasmo que em ti se expande
no dentro que me faço profunda no fora onde sou toda bunda - carne, escuros e profundezas cuspes, tetas e asperezas- subindo e descendo a escadaria do templo ao avesso, onde a fé principia.
Os mosaicos desenhados em tons castanhos estão sendo delineados num desenho sem tamanho
eu trilho pelas linhas onde aninhas tantas palavras
as lavras tensas lavas de um vulcão interno como um inferno queimando triscam o chão e o tesão já é um risco um perigo a arma na mão do bandido
eu não digo não ligo continuo o traço que faço com as pernas descobertas
(mas eu vejo no espelho o desejo refletido dos teus olhos no pentelho quando se levanta o vestido)
e se acertas a mira com os olhos em seta finjo que não vi o estrago feito no desconhecido leito do desejo que pari
a linha continua a rede se forma tem forma de canto bem no canto da borda nua como se eu fosse tua sem ser quem sou e vou fazendo um desenho ateu dando as cores aos falsos amores que me juram e transgrido leis escritas proscritas como balas que furam teu peito pela minha falta de respeito de só aceitar o que é meu.
Faço com gosto esse entreposto de cair de quatro no teu quarto na tua cama minha dana é esse desejo a querência do beijo a vontade minha verdade de te gostar de querer trepar talvez, fazer amor com um pouco de dor com a queimação do tesão nas ancas socadas tuas estocadas teu falo entrando ganhando terreno moreno você, meu doce como fosse o mel escorrido o bandido mascarado um namorado um brinquedo meu segredo a força que me move me comove me faz gozar nos dedos sem os medos dos humanos dos danos na coragem dos bichos que se abrem se atrevem e, arreganhada te espero assanhada te quero desarvorada te procuro em meu escuro no movimento no gemido o ardente furo desaguando o unguento fremido esperado sonhando tua língua lanhando tua mão estourando em tapas e malícias teu corpo pesando me ganhando no prazer dessas delícias...
... essa foda declamada cifrada é lance de sempre são os bichos indômitos tecendo pelos no emaranhado da razão
essa inconstância constante esse nosso lance essa cadência é a foda batida na janela misturada com aquela que vem sem explicação
esse desatino de menino que vaga por um ou outro cabelo branco como fosse gozo dessa nossa loucura sem chão saindo no tranco
nesse puta emaranhado - laço de renda - das fodas e tonteiras da unha nas costas como um palco arranhado ou peça de pano ou de tablado vagando passeio de telhado e tantas besteiras do canto que danço
tranço
e lanço a flecha no teu peito que, sem jeito faz firulas de bicho sério e nós dois nesse lance safado deixamos o arco-íris trotado dar a cor desse adultério...
Eu sou esse bicho doido que corre perigo que grita na calada digo um monte sem dizer nada tenho esse amor afoito no piercing do umbigo
eu sou uma festa aquela fresta a cortina balançante no quarto do amante eu sou a lua que míngua a língua na boca cheia sou a teia impactante eu sou esse bicho sofrido fodido difícil de acompanhar fácil de lanhar se o amor é corroído vivo na alça de mira do bandido desacato destrato mato antes que fira meu nariz metido sou esse bicho arranhado que arreganha coxas e dentes tenho esse lance escolado sem fazer barganha sem entrementes bato, deixo marcado sou mesmo um bicho... exagerado.
A ausência é tamanha que o verso capenga, a rima foi pro espaço como se um balaço matasse a quenga no romper da entranha. A saudade é tanta que a letra se perdeu, como se o caminho nunca tivesse sido ninho, a fé fosse a de um ateu e o frio não tivesse manta. A dor é tão vasta e intensa, o ciúme tão corrosivo, que a certeza é um vão a destruir qualquer tesão de um desconhecido ser invasivo que tenha uma lanha pretensa.
O piso tornou-se tão escorregadio, como se ensaboado, e assim eu me equilibro como tivesse na cabeça o livro, já num tom desbotado, daquele poeta vadio.
Vem aqui correr perigo vem então deitar comigo até o dia amanhecer Vem numas de foder se embriagar de meter até a noite fazer lume Vem sangrar o queixume do peito morto de ciúme que te busca sem cessar Vem bem assim me pegar nos meus furos atolar até a sangria da carne Vem provar do que arde fazer gemer em alarde até meu orgulho virar pó Vem matreiro e sem dó finca, mete, dá o nó monta fundo em exarcebo
que eu quero é colar e então só conjugar esse nosso puto verbo...
Abro as pernas, enlouqueço de tesão penso em você... sobre, dentro me masturbo com a mão metendo o dedo no centro Eu me fodo e gozo escorro lágrimas e mel e o que deveria ser gostoso tem aquele gosto de fel É que eu te quero comigo me penetrando nos meios com a língua no meu umbigo e mordendo o bico dos seios É que eu te desejo na minha toca na cama da loba que arreganha que te persegue e foca tuas indecências na barganha com tantas outras e eu me pego de olhos fechados e gemendo uns espasmos que eu não nego são pra você que está metendo com a puta do momento enquanto eu me aporrinho e dois dedos arrancam o tormento de um gozo mal fodido, sozinho...
Eu falo dessa dança no mato na floresta pagã eu falo da tua lança que eu engato numa febre terçã eu falo de beijo melado, de língua na perna aberta falo do desejo que nunca míngua e vive alerta eu falo de chupadas de foda de boca no bago eu falo de lambidas sem poda fazendo estrago eu falo do gozo esporrado na boca vertendo prazeres eu falo ao gostoso que me deixa louca nos tantos meteres eu falo de pica de pau todo duro de esporro na cama eu falo em quem fica e mete no furo me chama de dama eu falo do tal que se enrosca na rua com quantas quiser eu falo ao venal que tem sua pua pra qualquer mulher eu falo a ele que goza no banho e punheta por mim eu falo de pele eu falo de lanho eu falo de sim.
Enquanto cavalgo pelas campinas e o vento me bate no rosto e nos cabelos, sonho ver teus olhos pelas colinas e quero meu pelo ao encontro dos teus pelos, derramo águas no lombo do alazão; são os suores das minhas íris esverdeadas buscando um alento no trotado em tesão pela tua ausência nas minhas cavalgadas e o cheiro de mato impregna na minha pele em sulcos de terra vermelha pelos meus seios que, nus, balançam sem quem deles zele, sem quem os beije em seus meios e o corpo vai dolente no trote macio adentrando às flores das montanhas, chapiscando nos riachos de um cio cheio de perfumes de sexo e manhas e deito meu galope até te esquecer, até voltar à estrada cinza do asfalto e, urbana, viver de leis e arrefecer o amor que calço junto ao meu salto alto...
Soneto Erótico Maria Quitéria & Zeca Baleiro (brincadeira...)
Aos quinze eu já sentira o gosto dos dedos e de algumas grossas nas coxas, já tinha empinado os peitos e o rosto e, no pescoço, tinha umas marcas roxas;
aos dezoito, era bela como uma fada, manequim, modelo, falsa magra e coisa e tal, tinha fila de meninos querendo uma foda, mas eu ainda me mantinha virgem, afinal;
depois fui aprendendo os delírios do prazer e dedos e pau nas coxas já não mais satisfazia até que encontrei o homem certo pra meter,
e pra ele eu dei com gosto, como uma potra, vivi o orgasmo de um pau, como fosse orgia, e aprendi o gosto de uma foda atrás da outra. (Maria Quitéria)
15 anos eu passara os primeiros da vida Sem ter sabido nunca o que era esse furor Em que a dança do cu deixa na alma um torpor Após a ânsia viril na cona ser remida
Não que a morte tão doce, tão apetecida Não me impelisse um forte e juvenil ardor Mas o membro que eu tinha, embora lutador Não chegava a deixar a dama bem servida
Trabalho desde então com pertinácia rara Por compensar a perda e o tempo que não para Pois o sol no poente ameaça os meus dias
Oh Deus venho rogar-te meu zelo ajudai Para tão doce agir meus anos alongai Ou devolvei-me o tempo em que ainda eu não fodia (Zeca Baleiro)
Eu quero um canto soberano um canto mundano um rasgar de panos e danos uma música bem brega quero o romper das pregas sangrado a navalha num esporro que valha e cantarolar o roberto deixar todo aberto o canal entre as pernas no dial da estação vertendo tesão noutros manguezais ser como animais na cópula da rua andar toda nua com os pelos ao vento fincar de cimento teu falo na carne mostrar como arde o inchaço do gozo beijar mais gostoso na anarquia da cama ser mulher-dama de salto e peito vagar pelo leito com fogo e chamas enquanto me chamas e vou toda puta no meio da luta dessas transversais mudar os canais romper corpo afora mordendo tua coxa deixando uma roxa no bate-estaca tombado no estio entre o coito e o cio que em águas debanda na coxa mais bamba que teu duro devora...
Quando você chega meu coração toa como uma zabumba faz quizumba como se todo o povo de novo batesse nos atabaques e quase tenho um ataque um infarto um parto de gata siamesa
Quando você vem os raios de sol passam por entre nuvens e os clarões se arrastam pela minha pele brilhando na mão como se furando em flechas de Sebastião e derramo as tempestades de saudade no gozo no chão como quem não tem vintém
Quando você me junta de poesia e faz essa orgia de canto e desejo pede beijo mordidas e sofreguidão minha nuca arrepia o suor desce e salpica bordados de folia na pele que clama o que tanto ela ama como a língua que fica bailando na tua boca como agulha e linha tear e pano cosendo sonhos de louca em pontos de amor pelo dia
eu te quero como para respirar eu te preciso tangendo meu corpo duro vivo de te amar ardendo pelo furo onde te espero
eu te necessito no bater do coração no tum-tum-tum em desassossego da paixão que não nego mas que tanto evito
eu te preciso na mão na pele molhada cunhada no êxtase e paixão no risco de dividir como se outra fosse parir o filho que tenho no ventre que vive rente e está entre meu corte vermelho a ferir
eu te embalo num dois pra lá me deixo levar nos teus braços na música que você cria na teia que fia nessa dança dos passos
eu te tenho, ainda que não, eu te recordo, ainda que sozinha, eu me recupero me conserto eu te espero no desacerto daquela rua que é via do teu tesão
Respirando nas águas do (in)findo do teu amor Maria Quitéria
... você vem e a minha vida enlouquece o corpo fica em chamas como o das damas que se dão ao que entorpece como o da meretriz que vive por um triz nas esquinas correndo perigo como o das pequenas meninas sem ter abrigo
você chega e o verso deságua a saudade bate no peito há a derrama da água caída do olho à boca escorrendo no leito onde fico louca esqueço a solidão e misturo outras águas na paixão
você me vem e me abandona e eu acabo dando bandeira quando a torrente da cona enxurra como a de uma rameira e o que deveria ser um sussurro soa como um urro nos gemidos que sobem te querendo meu, macho e homem...
Mesmo quando meu dia arrebenta e eu sigo, alheia, sem dormir, quando o fogo da minha magenta é chama quase a se extinguir; é em você que meu sono dorme, é em tua lira que meu desejo se impõe; as pernas se abrem cheias de fome e gozam a poesia que você compõe.
Mesmo quando meu corpo se faz cansaço, quando a dor do dia em meu coração irrompe, te sinto no afago do meu braço, no gozo que escorre e me corrompe; aos delírios de imaginá-lo duro e teso me acariciando e enxurrando as águas lambendo o que me banha, sem ter peso, vertendo poemas das coxas sem mágoas.
E é nessa hora que a hora se faz mais doce, como se o tempo extinguisse dos ponteiros, como se, tua, eu pudesse ser e fosse, na vida, na eternidade, nesses travesseiros...
Seja de todas e de quantas quiser. Divirta-se. Divida-se. Parta-se. Reparta-se. Partilhe teu desejo. Eis-me, sabendo quem sou e o quanto represento.
A teia que teço: liberdade e desapego, paixão que não tem fim Maria Quitéria
Você, que deixa migalhas de pão para poder voltar...
Eu, que não fantasio nesses caminhos, que simplesmente habito essas terras em minhas noites de lua e dança, que não deixo migalhas, que gostaria de perder o caminho de volta e ficar por lá. Eu, que tento mostrar o verde, que aceito todas as derramas, as fantasias, as loucuras e ainda oferto amor. Eu, que deixo a porta do arco-íris aberta a que entre. Que o convido para as refeições ao meu lado, que perfumo o chão com alfazema e aliso os lençóis para que nenhuma nesga possa ferir sua pele. Eu, que ando descalça pois meus chinelos estão à porta para que deixe seus sapatos ao seu lado. Eu, que te mostrei estrelas de outras cores e outros brilhos, que perfumei folhas comuns para que se sentisse feliz, que o alimentei com palavras de todos os verbos, que o acalentei, que fui até sua cama e fiquei quieta, ofertando meu calor aos seus medos diários, que o embalei nos braços em suas noites de insônia e levei um cheiro de rosas, que o faço olhar para o melhor, que o trago ao gosto do sexo e vida, que me embrenho pelos teus fascínios aceitando-os e abrindo espaços para tua dança...
Meu bem, vem aqui pra tua puta vem gostoso, vem manhoso vem esfregando, vem na luta vem gosmento, vem fogoso
vem amor, todo putão põe aqui, mete em meu vão e me chama de cachorra esfrega bem na minha cara diz que eu sou a tua tara e comanda a nossa farra esporra em tudo e me lambuza deita e rola e me usa mete o grosso até que eu sangre essa é a força do inflame pra de quatro eu te chamar vem, meu Nego, sem aviso mete fundo esse teu liso que eu quero é me acabar esfrega e calca até o fundo dá no coro, chega junto que eu quero delirar
vem, cachorro, em nó de ferro o teu esporro é o que eu quero e, no teu grude, mais gozar...
Eu sou a bruxa da noite mas você é meu feitiço o chicote, o meu açoite meu gostoso, meu bonito
Você me faz vagabunda morde a minha bunda me assanha toda a greta mela minha buceta me deixa só na tua uma vagaba toda nua pra tua sanha e teu esporro tua flama e teu jorro eu sou louca por você e só penso em foder
Que é que tem esse teu falo que pra mim é um regalo que é que tem esse teu homem que é fogo e me consome e eu só quero te sentir no meu dentro a ferir com teu pau entrando duro em todo canto, todo furo e tão mais rolar na cama no quintal, até na lama é só mandar que eu obedeço já sou tua, mas o preço você vai ter que pagar mais meter até eu cansar e ficar louco na minha me chamando de Rainha
E depois, meu dengo lindo descansar teu fogo findo no remanso no meu braço que te aperta como laço que segura o teu cansaço te carinha num amasso te aquecendo a madrugada no repouso da tua espada...