Eu sou esse bicho doido que corre perigo que grita na calada digo um monte sem dizer nada tenho esse amor afoito no piercing do umbigo
eu sou uma festa aquela fresta a cortina balançante no quarto do amante eu sou a lua que míngua a língua na boca cheia sou a teia impactante eu sou esse bicho sofrido fodido difícil de acompanhar fácil de lanhar se o amor é corroído vivo na alça de mira do bandido desacato destrato mato antes que fira meu nariz metido sou esse bicho arranhado que arreganha coxas e dentes tenho esse lance escolado sem fazer barganha sem entrementes bato, deixo marcado sou mesmo um bicho... exagerado.
A ausência é tamanha que o verso capenga, a rima foi pro espaço como se um balaço matasse a quenga no romper da entranha. A saudade é tanta que a letra se perdeu, como se o caminho nunca tivesse sido ninho, a fé fosse a de um ateu e o frio não tivesse manta. A dor é tão vasta e intensa, o ciúme tão corrosivo, que a certeza é um vão a destruir qualquer tesão de um desconhecido ser invasivo que tenha uma lanha pretensa.
O piso tornou-se tão escorregadio, como se ensaboado, e assim eu me equilibro como tivesse na cabeça o livro, já num tom desbotado, daquele poeta vadio.
Vem aqui correr perigo vem então deitar comigo até o dia amanhecer Vem numas de foder se embriagar de meter até a noite fazer lume Vem sangrar o queixume do peito morto de ciúme que te busca sem cessar Vem bem assim me pegar nos meus furos atolar até a sangria da carne Vem provar do que arde fazer gemer em alarde até meu orgulho virar pó Vem matreiro e sem dó finca, mete, dá o nó monta fundo em exarcebo
que eu quero é colar e então só conjugar esse nosso puto verbo...
Abro as pernas, enlouqueço de tesão penso em você... sobre, dentro me masturbo com a mão metendo o dedo no centro Eu me fodo e gozo escorro lágrimas e mel e o que deveria ser gostoso tem aquele gosto de fel É que eu te quero comigo me penetrando nos meios com a língua no meu umbigo e mordendo o bico dos seios É que eu te desejo na minha toca na cama da loba que arreganha que te persegue e foca tuas indecências na barganha com tantas outras e eu me pego de olhos fechados e gemendo uns espasmos que eu não nego são pra você que está metendo com a puta do momento enquanto eu me aporrinho e dois dedos arrancam o tormento de um gozo mal fodido, sozinho...
Eu falo dessa dança no mato na floresta pagã eu falo da tua lança que eu engato numa febre terçã eu falo de beijo melado, de língua na perna aberta falo do desejo que nunca míngua e vive alerta eu falo de chupadas de foda de boca no bago eu falo de lambidas sem poda fazendo estrago eu falo do gozo esporrado na boca vertendo prazeres eu falo ao gostoso que me deixa louca nos tantos meteres eu falo de pica de pau todo duro de esporro na cama eu falo em quem fica e mete no furo me chama de dama eu falo do tal que se enrosca na rua com quantas quiser eu falo ao venal que tem sua pua pra qualquer mulher eu falo a ele que goza no banho e punheta por mim eu falo de pele eu falo de lanho eu falo de sim.
Enquanto cavalgo pelas campinas e o vento me bate no rosto e nos cabelos, sonho ver teus olhos pelas colinas e quero meu pelo ao encontro dos teus pelos, derramo águas no lombo do alazão; são os suores das minhas íris esverdeadas buscando um alento no trotado em tesão pela tua ausência nas minhas cavalgadas e o cheiro de mato impregna na minha pele em sulcos de terra vermelha pelos meus seios que, nus, balançam sem quem deles zele, sem quem os beije em seus meios e o corpo vai dolente no trote macio adentrando às flores das montanhas, chapiscando nos riachos de um cio cheio de perfumes de sexo e manhas e deito meu galope até te esquecer, até voltar à estrada cinza do asfalto e, urbana, viver de leis e arrefecer o amor que calço junto ao meu salto alto...
Soneto Erótico Maria Quitéria & Zeca Baleiro (brincadeira...)
Aos quinze eu já sentira o gosto dos dedos e de algumas grossas nas coxas, já tinha empinado os peitos e o rosto e, no pescoço, tinha umas marcas roxas;
aos dezoito, era bela como uma fada, manequim, modelo, falsa magra e coisa e tal, tinha fila de meninos querendo uma foda, mas eu ainda me mantinha virgem, afinal;
depois fui aprendendo os delírios do prazer e dedos e pau nas coxas já não mais satisfazia até que encontrei o homem certo pra meter,
e pra ele eu dei com gosto, como uma potra, vivi o orgasmo de um pau, como fosse orgia, e aprendi o gosto de uma foda atrás da outra. (Maria Quitéria)
15 anos eu passara os primeiros da vida Sem ter sabido nunca o que era esse furor Em que a dança do cu deixa na alma um torpor Após a ânsia viril na cona ser remida
Não que a morte tão doce, tão apetecida Não me impelisse um forte e juvenil ardor Mas o membro que eu tinha, embora lutador Não chegava a deixar a dama bem servida
Trabalho desde então com pertinácia rara Por compensar a perda e o tempo que não para Pois o sol no poente ameaça os meus dias
Oh Deus venho rogar-te meu zelo ajudai Para tão doce agir meus anos alongai Ou devolvei-me o tempo em que ainda eu não fodia (Zeca Baleiro)
Eu quero um canto soberano um canto mundano um rasgar de panos e danos uma música bem brega quero o romper das pregas sangrado a navalha num esporro que valha e cantarolar o roberto deixar todo aberto o canal entre as pernas no dial da estação vertendo tesão noutros manguezais ser como animais na cópula da rua andar toda nua com os pelos ao vento fincar de cimento teu falo na carne mostrar como arde o inchaço do gozo beijar mais gostoso na anarquia da cama ser mulher-dama de salto e peito vagar pelo leito com fogo e chamas enquanto me chamas e vou toda puta no meio da luta dessas transversais mudar os canais romper corpo afora mordendo tua coxa deixando uma roxa no bate-estaca tombado no estio entre o coito e o cio que em águas debanda na coxa mais bamba que teu duro devora...
Quando você chega meu coração toa como uma zabumba faz quizumba como se todo o povo de novo batesse nos atabaques e quase tenho um ataque um infarto um parto de gata siamesa
Quando você vem os raios de sol passam por entre nuvens e os clarões se arrastam pela minha pele brilhando na mão como se furando em flechas de Sebastião e derramo as tempestades de saudade no gozo no chão como quem não tem vintém
Quando você me junta de poesia e faz essa orgia de canto e desejo pede beijo mordidas e sofreguidão minha nuca arrepia o suor desce e salpica bordados de folia na pele que clama o que tanto ela ama como a língua que fica bailando na tua boca como agulha e linha tear e pano cosendo sonhos de louca em pontos de amor pelo dia
eu te quero como para respirar eu te preciso tangendo meu corpo duro vivo de te amar ardendo pelo furo onde te espero
eu te necessito no bater do coração no tum-tum-tum em desassossego da paixão que não nego mas que tanto evito
eu te preciso na mão na pele molhada cunhada no êxtase e paixão no risco de dividir como se outra fosse parir o filho que tenho no ventre que vive rente e está entre meu corte vermelho a ferir
eu te embalo num dois pra lá me deixo levar nos teus braços na música que você cria na teia que fia nessa dança dos passos
eu te tenho, ainda que não, eu te recordo, ainda que sozinha, eu me recupero me conserto eu te espero no desacerto daquela rua que é via do teu tesão
Respirando nas águas do (in)findo do teu amor Maria Quitéria
... você vem e a minha vida enlouquece o corpo fica em chamas como o das damas que se dão ao que entorpece como o da meretriz que vive por um triz nas esquinas correndo perigo como o das pequenas meninas sem ter abrigo
você chega e o verso deságua a saudade bate no peito há a derrama da água caída do olho à boca escorrendo no leito onde fico louca esqueço a solidão e misturo outras águas na paixão
você me vem e me abandona e eu acabo dando bandeira quando a torrente da cona enxurra como a de uma rameira e o que deveria ser um sussurro soa como um urro nos gemidos que sobem te querendo meu, macho e homem...
Mesmo quando meu dia arrebenta e eu sigo, alheia, sem dormir, quando o fogo da minha magenta é chama quase a se extinguir; é em você que meu sono dorme, é em tua lira que meu desejo se impõe; as pernas se abrem cheias de fome e gozam a poesia que você compõe.
Mesmo quando meu corpo se faz cansaço, quando a dor do dia em meu coração irrompe, te sinto no afago do meu braço, no gozo que escorre e me corrompe; aos delírios de imaginá-lo duro e teso me acariciando e enxurrando as águas lambendo o que me banha, sem ter peso, vertendo poemas das coxas sem mágoas.
E é nessa hora que a hora se faz mais doce, como se o tempo extinguisse dos ponteiros, como se, tua, eu pudesse ser e fosse, na vida, na eternidade, nesses travesseiros...
Seja de todas e de quantas quiser. Divirta-se. Divida-se. Parta-se. Reparta-se. Partilhe teu desejo. Eis-me, sabendo quem sou e o quanto represento.
A teia que teço: liberdade e desapego, paixão que não tem fim Maria Quitéria
Você, que deixa migalhas de pão para poder voltar...
Eu, que não fantasio nesses caminhos, que simplesmente habito essas terras em minhas noites de lua e dança, que não deixo migalhas, que gostaria de perder o caminho de volta e ficar por lá. Eu, que tento mostrar o verde, que aceito todas as derramas, as fantasias, as loucuras e ainda oferto amor. Eu, que deixo a porta do arco-íris aberta a que entre. Que o convido para as refeições ao meu lado, que perfumo o chão com alfazema e aliso os lençóis para que nenhuma nesga possa ferir sua pele. Eu, que ando descalça pois meus chinelos estão à porta para que deixe seus sapatos ao seu lado. Eu, que te mostrei estrelas de outras cores e outros brilhos, que perfumei folhas comuns para que se sentisse feliz, que o alimentei com palavras de todos os verbos, que o acalentei, que fui até sua cama e fiquei quieta, ofertando meu calor aos seus medos diários, que o embalei nos braços em suas noites de insônia e levei um cheiro de rosas, que o faço olhar para o melhor, que o trago ao gosto do sexo e vida, que me embrenho pelos teus fascínios aceitando-os e abrindo espaços para tua dança...
Meu bem, vem aqui pra tua puta vem gostoso, vem manhoso vem esfregando, vem na luta vem gosmento, vem fogoso
vem amor, todo putão põe aqui, mete em meu vão e me chama de cachorra esfrega bem na minha cara diz que eu sou a tua tara e comanda a nossa farra esporra em tudo e me lambuza deita e rola e me usa mete o grosso até que eu sangre essa é a força do inflame pra de quatro eu te chamar vem, meu Nego, sem aviso mete fundo esse teu liso que eu quero é me acabar esfrega e calca até o fundo dá no coro, chega junto que eu quero delirar
vem, cachorro, em nó de ferro o teu esporro é o que eu quero e, no teu grude, mais gozar...
Eu sou a bruxa da noite mas você é meu feitiço o chicote, o meu açoite meu gostoso, meu bonito
Você me faz vagabunda morde a minha bunda me assanha toda a greta mela minha buceta me deixa só na tua uma vagaba toda nua pra tua sanha e teu esporro tua flama e teu jorro eu sou louca por você e só penso em foder
Que é que tem esse teu falo que pra mim é um regalo que é que tem esse teu homem que é fogo e me consome e eu só quero te sentir no meu dentro a ferir com teu pau entrando duro em todo canto, todo furo e tão mais rolar na cama no quintal, até na lama é só mandar que eu obedeço já sou tua, mas o preço você vai ter que pagar mais meter até eu cansar e ficar louco na minha me chamando de Rainha
E depois, meu dengo lindo descansar teu fogo findo no remanso no meu braço que te aperta como laço que segura o teu cansaço te carinha num amasso te aquecendo a madrugada no repouso da tua espada...
"Só vigia um ponto negro: o meu ciúme O ciúme lançou sua flecha preta E se viu ferido justo na garganta..." (Caetano Veloso)
Te amo em silêncio Maria Quitéria
Você sabe, eu me ralo, enlouqueço mas não dou banda, fico na minha, me calo, faço que esqueço. Você sabe até o talo que sou louca, que não sou pouca, desavergonhada, pomba gira, alucinada, a que pira quando ama, a que se deita na lama e não liga. Você sabe, eu te amo enquanto você se enrosca com qualquer tosca qualquer puta. Você sabe, eu me dano, vou à luta, quando se deita com uma puta ou uma vadia qualquer; sigo e vou, sei que sou a meretriz soberana, a que se dana mas que sabe ser mulher e segue a transversal do tempo, farejando o vento, acendendo o lume e te ama, morta de ciúme, ainda que negue.
Nunca a teoria da Ressonância de Schumann foi tão verdadeira. Até pra bater perna o tempo ficou curto... Falando em curto, no curto circuito do final do ano, larguei todo mundo na mão (ui!), né mesmo? Mas visitarei tudinhu ocêis, prometo, meto, meto...
E Schumann que me desculpe, mas brincar é fundamental. Vocês já brincaram nesse site? Uma belezura! Ele é quase tão inteligente quanto eu (ô modéstia que me mata!):
LM - Você escreve há quanto tempo? MQ - Creio que desde que aprendi a escrever (digo, depois do be-a-bá), já rascunhava trovinhas. Meu pai sempre escreveu músicas e, embora eu nunca tenha escrito nenhuma, escrevia coisinhas para mostrar para ele... Aprendi a ler e a escrever com cinco anos e em casa só falava em italiano com meu pai. Creio que isso desenvolveu em mim vontades de me expressar através da palavra escrita.
LM - Você se considera uma escritora popular? MQ - Não me considero uma escritora e não sou. Sou apenas escrevinhadora. Não tenho métodos, métrica e muito menos disciplina.
LM - Seus textos normalmente são eróticos ou sensuais. Seu veio poético é semelhante a sua pessoa? MQ - Creio que sim, embora não vá jamais explicar se o que escrevo é verdade ou mentira. Se misturarem a autora com a pessoa, tudo certo. Se separarem, tudo certo também. Não acho que deva dar satisfações sobre minhas letras; isso, além de ser ridículo, é totalmente dispensável. Sou erotizada, sensual e isso faz parte da minha natureza, contudo, também sou séria e posso ser bastante cruel se necessário. Mas nem por isso preciso escrever crueldades.
LM - Você recebeu propostas para escrever livros. Por que nunca aceitou? MQ - Primeiro porque, como já disse, não tenho disciplina. Escrever por obrigação iria tirar toda a graça. Segundo, jamais irei investir em letras. Não que não creia que poderiam valer algo, mas me propus a jamais pagar para ser lida. Se um dia tiver que gastar um único centavo seja onde for para publicar, deixarei de escrever. Ou melhor, deixarei de publicar, continuarei escrevendo em meu diário. Recebi uma proposta para publicação de contos e não iria investir nada, exceto tempo, mas analisei friamente: o que querem que eu escreva? o que iria atrair um público X? qual o tamanho ideal de um conto a não ser cansativo e fazer com que se continue folheando? o que seria um sucesso? Como não gostei das respostas que eu mesma me dei, não quis fazê-lo. Não compensaria o desgaste, exceto se fosse um sucesso mas, honestamente, não creio que seria.
LM - Quantos textos você já escreveu? Tem a quantidade? MQ - Não, não tenho, mas devem ter superado a marca de 10.000. Entre todas as frentes de publicação que ainda mantenho, devo ter mais de 8.000 publicados, então creio que esse número deva ser até superior.
LM - O que você mais gosta de escrever? MQ - Política. Já assinei matérias em um jornal e em uma revista por muito tempo com pseudônimo. Adorava escrever politica, mas me proibi de continuar. É desgastante e eu ficava enfurecida, começou a me fazer mal. Mas ainda gosto muito de escrever sobre o assunto, embora pouco o faça. Também gosto da linha financeira. Toda a estratégia, as aplicações... isso tudo faz o cérebro funcionar a mil. Como não bebo nem uso drogas, política e finanças dão um barato e tanto.
LM - Quando você escreve sobre amor, por exemplo, você idealiza ou retrata? MQ - Normalmente retrato. Idealizar pode trazer transtornos já que as pessoas nunca são o que desejamos.
LM - O que você gosta de fazer quando está de folga? MQ - Nada. Fazer nada é uma coisa muito gostosa. Quase tão boa quanto fazer amor.
LM - Você acha que poesia ainda é vendável? MQ - Será sempre vendável porque o amor existe. Mas as pessoas, embora ainda há quem busque aquele "eu te amo", agora também buscam outras formas de expressão na poesia e quando ela consegue aliar o amor, o cotidiano e mais as diversas posturas, tanto psicológicas quanto temporais, torna-se leitura obrigatória para a maioria.
LM - Então você acha que a poesia precisa ser clara, é isso? MQ - Eu disse outra coisa, mas isso também é verdadeiro. Não há nada mais desagradável do que você começar a ler uma poesia e ficar tentando decifrar o que o autor quis dizer. A metáfora é sempre benvinda, mas a estupidez, a 'invençatez', além de ser pobre em aspecto literário, ainda causa aquela sensação de aturdimento ao final da leitura. Isso me faz pensar no poetrix, poema simples em sua forma, mas que as pessoas pensam que podem escrever qualquer tolice em três linhas e está feito. Mas, de tudo, o que mais de deixa atordoada é observar pessoas aplaudindo o que não entenderam ou o que não faz sentido, apenas para adular um autor ou passar atestado da própria ignorância, como nos quadros com aquele monte de cores e rabiscos e as pessoas (sempre com ar intelectual), explicando o inexplicável.
LM - O plágio é um problema gravíssimo para os que publicam na Internet. Como você encara isso? MQ - Bem, apenas uma vez fiquei bastante zangada com relação a um texto meu que foi publicado sem a autoria. Achei desagradável o que a pessoa fez. Não só desagradável, foi desonesto. Mas o plágio, embora seja uma erva daninha e eu encontre frases inteiras minhas na boca de outras pessoas, eu acabo por entender que só copiamos o que entendemos como sendo uma coisa de valor, então, essas pessoas que costumam plagiar, se tiverem talento, cedo ou tarde encontrarão seu próprío caminho e deixarão de copiar os outros e, os que não possuem talento, serão esquecidos. Não se engana a todos por muito tempo.
LM - Que tipo de literatura você acha que poderia fazer mais sucesso? MQ - A ficção romântica, o suspense, o esoterismo, o conto policial, a intriga política; esses temas são interessantes e abrangem um grande público. Também os livros de auto-ajuda, embora eu não goste deles, o filão comercial é imenso.
LM - Há alguma fórmula mágica para ser bastante lido? MQ - Sem dúvida. Quando o título é chamativo, normalmente a leitura é imensa, mas isso é uma faca de dois gumes já que você acena com algo e o leitor busca isso no conteúdo e, se o conteúdo for pobre, ele acaba se cansando e deixa de ler você. Sempre entendi que títulos apelativos exigem muita capacidade no texto em si e nunca me vali desse argumento. Às vezes escrevo algo para uma única pessoa e, sabendo que essa única pessoa me leu, já me satisfaz. Não busco o sucesso fácil, aliás, nem busco o sucesso, apenas gosto de escrever. E também sou bastante seletiva com relação aos comentários que recebo. Sempre são benvindos, mas não me iludo achando que isso me torna um sucesso já que quem gosta de A, não pode gostar de B e se os elogios para A e B são constantes, isso significa apenas amizade e não um aval ao meu talento.
LM - Você escreve de forma crua, isso acarreta algum problema? MQ - Não. Em alguns sites, creio ter sido a primeira mulher a escrever as palavras como são, sem o invólucro da boa educação. Quando se escreve, não se pode tolher a criatividade. Algumas palavras são usadas em medicina, outras são usadas no erótico, e eu não tenho nenhuma censura ao escrevê-las. Contudo, sempre tomei muito cuidado para não ser vulgar. Isso é o que difere uma palavra da outra. A vulgaridade, a palavra crua escrita apenas visando um determinado aspecto do sucesso é que faz desandar toda uma letra. Até a pornografia explícita possui talento se não entrar na vulgaridade.
LM - Fora escrever, o que você mais gosta de fazer? MQ - Amor, cavalgar, cozinhar, torrar dinheiro e fazer nada.
LM - Se você pudesse criar um homem como se fosse um livro, como ele seria? MQ - Eu gosto do biotipo do Stallone. Poderia ter cabelos escuros e longos, músculos, ser mortal e quase mudo. Esse homem é o ideal para meu gosto; rústico, bruto, forte, calado, confiável, determinado e sem piadinhas. Detesto homem que conta piadinhas ou vive rindo. Mas embora tenha preferências físicas um tanto determinadas, se esse homem não tiver caráter e ser "galinha", não valeria nada no meu conceito; seria um livro só de capa. Ainda prefiro um livro até rasgado, mas com letras poderosas.
LM - Gosta do tipo bruto, então? MQ - "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás..."
LM - Que tipo de literatura você gosta? O que você lê? MQ - Sempre li muito. De bula de remédio à gibi. Livros técnicos, livros sérios, livros idiotas. Mas depois de alguns anos (muitos, no meu caso) a gente aprende certas coisas. Cito Nelson Rodrigues e, creio, estarei explicando o que penso hoje: " "Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos". ...