AVISO: CONTEÚDO ADULTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A teia que teço: liberdade e desapego, paixão que não tem fim

Ouça:
Ceumar - Avesso


Seja de todas e de quantas quiser. Divirta-se. Divida-se. Parta-se. Reparta-se. Partilhe teu desejo.
Eis-me, sabendo quem sou e o quanto represento.

A teia que teço: liberdade e desapego, paixão que não tem fim
Maria Quitéria

Você, que deixa migalhas de pão para poder voltar...

Eu, que não fantasio nesses caminhos, que simplesmente habito essas terras em minhas noites de lua e dança, que não deixo migalhas, que gostaria de perder o caminho de volta e ficar por lá. Eu, que tento mostrar o verde, que aceito todas as derramas, as fantasias, as loucuras e ainda oferto amor. Eu, que deixo a porta do arco-íris aberta a que entre. Que o convido para as refeições ao meu lado, que perfumo o chão com alfazema e aliso os lençóis para que nenhuma nesga possa ferir sua pele. Eu, que ando descalça pois meus chinelos estão à porta para que deixe seus sapatos ao seu lado. Eu, que te mostrei estrelas de outras cores e outros brilhos, que perfumei folhas comuns para que se sentisse feliz, que o alimentei com palavras de todos os verbos, que o acalentei, que fui até sua cama e fiquei quieta, ofertando meu calor aos seus medos diários, que o embalei nos braços em suas noites de insônia e levei um cheiro de rosas, que o faço olhar para o melhor, que o trago ao gosto do sexo e vida, que me embrenho pelos teus fascínios aceitando-os e abrindo espaços para tua dança...

Porque...

A teia que eu teço

é a teia que nos laça
de paixão em excesso
vinho-enredo na taça;

A minha voz mergulha em mel para tecê-la

e meu coração recheia-se de chocolate,
minha pele é doce a que possa lambê-la
e é todo feito de carinho o arremate;

Amarro sonhos com gosto de amanhã,

teço em pontos certos como pequenas uvas,
minha boca morde os nós com gosto de maçã
e lavo a teia pronta nas águas das chuvas;

Te entrego como presente a teia do meu dia,

meus momentos de você no tudo que teço,
- oferto a trama como quem acaricia -
o teu mergulho em mim, em laço e arremesso.

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Dominação


Dominação
Maria Quitéria

Vem cá, meu safado

encosta esse corpo no meu
me beija todo assanhado
e toma de mim o que é seu.
Me xinga, me bate, me alisa
e esfrega o gostoso em mim,
me joga no chão e me pisa,
me come do princípio ao fim.
Me veste de puta e geme
no meu ouvido todo o pecado,
me morde a coxa que treme
e lambe o meu bico rosado.
Me doma, que te quero meu dono,
que obedeço com todo o agrado,
depois da farra, caindo de sono,
beija meus pés como escravo...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Todo gostoso...


Todo gostoso...
Maria Quitéria

Meu bem, vem aqui pra tua puta
vem gostoso, vem manhoso
vem esfregando, vem na luta
vem gosmento, vem fogoso

vem amor, todo putão
põe aqui, mete em meu vão
e me chama de cachorra
esfrega bem na minha cara
diz que eu sou a tua tara
e comanda a nossa farra
esporra em tudo e me lambuza
deita e rola e me usa
mete o grosso até que eu sangre
essa é a força do inflame
pra de quatro eu te chamar
vem, meu Nego, sem aviso
mete fundo esse teu liso
que eu quero é me acabar
esfrega e calca até o fundo
dá no coro, chega junto
que eu quero delirar

vem, cachorro, em nó de ferro
o teu esporro é o que eu quero
e, no teu grude, mais gozar...

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Folguedo

Ouça:
 maria bethania - o meu amor





Folguedo
Maria Quitéria


Eu sou a bruxa da noite
mas você é meu feitiço
o chicote, o meu açoite
meu gostoso, meu bonito

Você me faz vagabunda
morde a minha bunda
me assanha toda a greta
mela minha buceta
me deixa só na tua
uma vagaba toda nua
pra tua sanha e teu esporro
tua flama e teu jorro
eu sou louca por você
e só penso em foder

Que é que tem esse teu falo
que pra mim é um regalo
que é que tem esse teu homem
que é fogo e me consome
e eu só quero te sentir
no meu dentro a ferir
com teu pau entrando duro
em todo canto, todo furo
e tão mais rolar na cama
no quintal, até na lama
é só mandar que eu obedeço
já sou tua, mas o preço
você vai ter que pagar
mais meter até eu cansar
e ficar louco na minha
me chamando de Rainha

E depois, meu dengo lindo
descansar teu fogo findo
no remanso no meu braço
que te aperta como laço
que segura o teu cansaço
te carinha num amasso
te aquecendo a madrugada
no repouso da tua espada...

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Te amo em silêncio

 Geral Azevedo - O Ciúme



"Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta..."
(Caetano Veloso)



Te amo em silêncio
Maria Quitéria

Você sabe, eu me ralo,
enlouqueço
mas não dou banda,
fico na minha,
me calo,
faço que esqueço.
Você sabe até o talo
que sou louca,
que não sou pouca,
desavergonhada,
pomba gira,
alucinada,
a que pira
quando ama,
a que se deita na lama
e não liga.
Você sabe, eu te amo
enquanto você se enrosca
com qualquer tosca
qualquer puta.
Você sabe, eu me dano,
vou à luta,
quando se deita com uma puta
ou uma vadia qualquer;
sigo e vou,
sei que sou
a meretriz soberana,
a que se dana
mas que sabe ser mulher
e segue
a transversal do tempo,
farejando o vento,
acendendo o lume
e te ama, morta de ciúme,
ainda que negue.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo! (Putz, já é quase Carnaval...rs)



Nunca a teoria da Ressonância de Schumann foi tão verdadeira.
Até pra bater perna o tempo ficou curto...
Falando em curto, no curto circuito do final do ano, larguei todo mundo na mão (ui!), né mesmo?
Mas visitarei tudinhu ocêis, prometo, meto, meto...

E Schumann que me desculpe, mas brincar é fundamental.
Vocês já brincaram nesse site? Uma belezura!
Ele é quase tão inteligente quanto eu (ô modéstia que me mata!):

Agora em português, brinquemos:
http://pt.akinator.com/


é só entrar em JOGAR, tá?

Beijo e Feliz Ano Novo pra todos!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Maria Quitéria no Le Monde


LM - Você escreve há quanto tempo?
MQ - Creio que desde que aprendi a escrever (digo, depois do be-a-bá), já rascunhava trovinhas. Meu pai sempre escreveu músicas e, embora eu nunca tenha escrito nenhuma, escrevia coisinhas para mostrar para ele... Aprendi a ler e a escrever com cinco anos e em casa só falava em italiano com meu pai. Creio que isso desenvolveu em mim vontades de me expressar através da palavra escrita.

LM - Você se considera uma escritora popular?
MQ - Não me considero uma escritora e não sou. Sou apenas escrevinhadora. Não tenho métodos, métrica e muito menos disciplina.

LM - Seus textos normalmente são eróticos ou sensuais. Seu veio poético é semelhante a sua pessoa?
MQ - Creio que sim, embora não vá jamais explicar se o que escrevo é verdade ou mentira. Se misturarem a autora com a pessoa, tudo certo. Se separarem, tudo certo também. Não acho que deva dar satisfações sobre minhas letras; isso, além de ser ridículo, é totalmente dispensável. Sou erotizada, sensual e isso faz parte da minha natureza, contudo, também sou séria e posso ser bastante cruel se necessário. Mas nem por isso preciso escrever crueldades.

LM - Você recebeu propostas para escrever livros. Por que nunca aceitou?
MQ - Primeiro porque, como já disse, não tenho disciplina. Escrever por obrigação iria tirar toda a graça. Segundo, jamais irei investir em letras. Não que não creia que poderiam valer algo, mas me propus a jamais pagar para ser lida. Se um dia tiver que gastar um único centavo seja onde for para publicar, deixarei de escrever. Ou melhor, deixarei de publicar, continuarei escrevendo em meu diário. Recebi uma proposta para publicação de contos e não iria investir nada, exceto tempo, mas analisei friamente: o que querem que eu escreva? o que iria atrair um público X? qual o tamanho ideal de um conto a não ser cansativo e fazer com que se continue folheando? o que seria um sucesso? Como não gostei das respostas que eu mesma me dei, não quis fazê-lo. Não compensaria o desgaste, exceto se fosse um sucesso mas, honestamente, não creio que seria.

LM - Quantos textos você já escreveu? Tem a quantidade?
MQ - Não, não tenho, mas devem ter superado a marca de 10.000. Entre todas as frentes de publicação que ainda mantenho, devo ter mais de 8.000 publicados, então creio que esse número deva ser até superior.

LM - O que você mais gosta de escrever?
MQ - Política. Já assinei matérias em um jornal e em uma revista por muito tempo com pseudônimo. Adorava escrever politica, mas me proibi de continuar. É desgastante e eu ficava enfurecida, começou a me fazer mal. Mas ainda gosto muito de escrever sobre o assunto, embora pouco o faça. Também gosto da linha financeira. Toda a estratégia, as aplicações... isso tudo faz o cérebro funcionar a mil. Como não bebo nem uso drogas, política e finanças dão um barato e tanto.

LM - Quando você escreve sobre amor, por exemplo, você idealiza ou retrata?
MQ - Normalmente retrato. Idealizar pode trazer transtornos já que as pessoas nunca são o que desejamos.

LM - O que você gosta de fazer quando está de folga?
MQ - Nada. Fazer nada é uma coisa muito gostosa. Quase tão boa quanto fazer amor.

LM - Você acha que poesia ainda é vendável?
MQ - Será sempre vendável porque o amor existe. Mas as pessoas, embora ainda há quem busque aquele "eu te amo", agora também buscam outras formas de expressão na poesia e quando ela consegue aliar o amor, o cotidiano e mais as diversas posturas, tanto psicológicas quanto temporais, torna-se leitura obrigatória para a maioria.

LM - Então você acha que a poesia precisa ser clara, é isso?
MQ - Eu disse outra coisa, mas isso também é verdadeiro. Não há nada mais desagradável do que você começar a ler uma poesia e ficar tentando decifrar o que o autor quis dizer. A metáfora é sempre benvinda, mas a estupidez, a 'invençatez', além de ser pobre em aspecto literário, ainda causa aquela sensação de aturdimento ao final da leitura. Isso me faz pensar no poetrix, poema simples em sua forma, mas que as pessoas pensam que podem escrever qualquer tolice em três linhas e está feito. Mas, de tudo, o que mais de deixa atordoada é observar pessoas aplaudindo o que não entenderam ou o que não faz sentido, apenas para adular um autor ou passar atestado da própria ignorância, como nos quadros com aquele monte de cores e rabiscos e as pessoas (sempre com ar intelectual), explicando o inexplicável.

LM - O plágio é um problema gravíssimo para os que publicam na Internet. Como você encara isso?
MQ - Bem, apenas uma vez fiquei bastante zangada com relação a um texto meu que foi publicado sem a autoria. Achei desagradável o que a pessoa fez. Não só desagradável, foi desonesto. Mas o plágio, embora seja uma erva daninha e eu encontre frases inteiras minhas na boca de outras pessoas, eu acabo por entender que só copiamos o que entendemos como sendo uma coisa de valor, então, essas pessoas que costumam plagiar, se tiverem talento, cedo ou tarde encontrarão seu próprío caminho e deixarão de copiar os outros e, os que não possuem talento, serão esquecidos. Não se engana a todos por muito tempo.

LM - Que tipo de literatura você acha que poderia fazer mais sucesso?
MQ - A ficção romântica, o suspense, o esoterismo, o conto policial, a intriga política; esses temas são interessantes e abrangem um grande público. Também os livros de auto-ajuda, embora eu não goste deles, o filão comercial é imenso.

LM - Há alguma fórmula mágica para ser bastante lido?
MQ - Sem dúvida. Quando o título é chamativo, normalmente a leitura é imensa, mas isso é uma faca de dois gumes já que você acena com algo e o leitor busca isso no conteúdo e, se o conteúdo for pobre, ele acaba se cansando e deixa de ler você. Sempre entendi que títulos apelativos exigem muita capacidade no texto em si e nunca me vali desse argumento. Às vezes escrevo algo para uma única pessoa e, sabendo que essa única pessoa me leu, já me satisfaz. Não busco o sucesso fácil, aliás, nem busco o sucesso, apenas gosto de escrever. E também sou bastante seletiva com relação aos comentários que recebo. Sempre são benvindos, mas não me iludo achando que isso me torna um sucesso já que quem gosta de A, não pode gostar de B e se os elogios para A e B são constantes, isso significa apenas amizade e não um aval ao meu talento.

LM - Você escreve de forma crua, isso acarreta algum problema?
MQ - Não. Em alguns sites, creio ter sido a primeira mulher a escrever as palavras como são, sem o invólucro da boa educação. Quando se escreve, não se pode tolher a criatividade. Algumas palavras são usadas em medicina, outras são usadas no erótico, e eu não tenho nenhuma censura ao escrevê-las. Contudo, sempre tomei muito cuidado para não ser vulgar. Isso é o que difere uma palavra da outra. A vulgaridade, a palavra crua escrita apenas visando um determinado aspecto do sucesso é que faz desandar toda uma letra. Até a pornografia explícita possui talento se não entrar na vulgaridade.

LM - Fora escrever, o que você mais gosta de fazer?
MQ - Amor, cavalgar, cozinhar, torrar dinheiro e fazer nada.

LM - Se você pudesse criar um homem como se fosse um livro, como ele seria?
MQ - Eu gosto do biotipo do Stallone. Poderia ter cabelos escuros e longos, músculos, ser mortal e quase mudo. Esse homem é o ideal para meu gosto; rústico, bruto, forte, calado, confiável, determinado e sem piadinhas. Detesto homem que conta piadinhas ou vive rindo. Mas embora tenha preferências físicas um tanto determinadas, se esse homem não tiver caráter e ser "galinha", não valeria nada no meu conceito; seria um livro só de capa. Ainda prefiro um livro até rasgado, mas com letras poderosas.

LM - Gosta do tipo bruto, então?
MQ - "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás..."

LM - Que tipo de literatura você gosta? O que você lê?
MQ - Sempre li muito. De bula de remédio à gibi. Livros técnicos, livros sérios, livros idiotas. Mas depois de alguns anos (muitos, no meu caso) a gente aprende certas coisas. Cito Nelson Rodrigues e, creio, estarei explicando o que penso hoje: " "Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos".
...

Na íntegra:
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Meus bichos indômitos

Ouça:
Ze Ramalho - Cancao Agalopada





"... Numa fenda de fogo que aparece

O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos..."
(Zé Ramalho)

Meus bichos indômitos
Maria Quitéria

Te faço renascer das cinzas do meu corpo
te dou asas de pássaro, num vôo macio;
te deixo duro, envenenado, e o anticorpo
te oferto na noite desaguada do meu cio

corro pelos prados, potranca selvagem,
de rabo erguido, chamando o macho
que trota altaneiro, alazão de montagem,
a cobrir a égua castanha em seu racho;
e os mutantes que somos se elevam
nos fantasiosos campos ou metidos na tapera
seguindo com o afã dos que se entregam
como bicho, pássaro, homem, pantera;

atravesso a pêlo o denso da tua floresta
- mundana leoa de soltos cabelos -
lambendo a última gota que lhe resta
com minha língua lanhando desvelos
vou rugindo pelo teu corpo lustroso
arisca, mas inteira entregue ao prazer
de viver contigo o tão mais gostoso
das volúpias do trepar, sentir e gemer,
rebolando a anca ao tigre que se mostra
que altivo, deixa o falo rígido no balanço
ao desaguar da tigresa que se prosta,
rainha felina vendo o gozo pingar manso...

"... eu prefiro um galope soberano
à loucura do mundo me entregar..."

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

De ausências e cumplicidade

Ouça:
Fagner - Espumas ao vento




"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
(Carlos Drummond de Andrade)


De ausências e cumplicidade
Maria Quitéria


Te ter dentro, ainda que distante,
ainda que no devasso do pensamento,
é meu doce enredo de amante
a te deitar loas pelo firmamento;
é ter a carne toda em frêmitos de gozo
rompido pelo fogo dos meus dedos
no jorro inclemente e mais gostoso
feito de silêncios, pausas e segredos;

essa ausência, que as vezes tanto dói
como um veneno correndo na minha veia
que, lentamente, me entra e corrói
com a ardência da trama dessa teia,
plana ainda na linha do meu horizonte
quando a labareda tórrida no coração
me abre as coxas em ponte
na derrama de chuvas salgadas de tesão,
com teu nome sussurrado na boca
com tua lembrança que, confesso,
é o que me desatina e me deixa louca
e me faz virar do avesso...

"... e de uma coisa fique certo, amor,
a porta vai estar sempre aberta, amor,
e o meu olhar vai dar uma festa, amor,
na hora que você chegar..."


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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Guloseimas ou Travessuras?

HAPPY HALLOWEEN






Guloseimas ou Travessuras?
Maria Quitéria

Quando dispo meu manto
ao teu espanto
chamando teu nome
e te invoco: vinde homem!
eu te remexo por dentro
te banho de ungüento
de gozo
gostoso
risco meu pentagrama
me deito na grama
e acendo um incenso
sem senso
meu dedos fazem o traçado
do pêlo enrolado
da fenda
em renda
pingando na coxa
quente
rente
da cabrocha
que deita a crina
e se bolina
virada pra lua
nua
o galope do cavalo
é ouvido no teu peito
retumba como um badalo
te remexendo no leito
o dedo é a adaga
que afaga
a vela em sua chama
te chama
o olho focado
caldeirão aceso
meu homem teso
em outro estrado
e eu o trago até mim
espalhando o meu cheiro
doce, de jasmim
exalado no teu travesseiro...

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

fazedora das tuas chuvas

Ouça:


 Vander Lee - Românticos





"... romântico
é uma espécie em extinção
românticos são loucos
românticos são poucos
desvairados
românticos são limpos
e pirados
como eu...
(como nós)"
(Nado Siqueira)


fazedora das tuas chuvas
Maria Quitéria

... te encontro
naquele encontro
duro e teso
coeso
te deixo louco
por pouco
derramo o gozo
gostoso
meu gosto na tua boca
que, louca
brinca de língua ao acaso
meu caso
amante lanhando fúria
luxúria
que me chama de amor
no ardor
de gata arisca
que risca
a linha do destino
desatino
no vai e volta
não solta
no vai e vem
teu bem
na chama da foda
sem poda
fazedora de chuvas
e luvas
de encaixe no dedo
segredo
paixão tão amiga
antiga
demônio e bicho
teu nicho
de foda e poesia
anarquia
num rock pesado
dobrado
sabonete e chuveiro
aguaceiro
nota em violino
um menino
passando a vara
na tara
no dentro mais quente
no dente
esfregando no ponto
pesponto

em tear de alegria
de pele e folia
falo erguido, apogeu
num lance verdade
onde tua tempestade
sou eu

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fernando e tantas Pessoas

Ouça:
Caetano Veloso - Fernando Pessoa




"...E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar."
(Fernando Pessoa)



Fernando e tantas Pessoas
Maria Quitéria

Dos tantos mares que minhas íris já viram, a última onda levantará em tubo e arriscarei.
Dos tantos ares que meus cabelos sentiram, a última rajada estará à queda e ao corpo.
Dos tantos chãos que meus pés caminharam, em Santiago ainda pisarei.
Das tantas terras que sujaram minhas unhas, a mais escura ainda não me cobriu, nem cobrirá.
Dos tantos vermelhos que aqueceram minha pernas, a última fogueira ainda será acesa no deserto.
Dos tantos desvãos que minha alma perscrutou, o maior ainda está por brilhar-me.
Dos tantos corpos que deitaram em meus sonhos, o último tomará o que teve o primeiro.
Das tantas paixões que me cobriram em manta, a eterna será feita de retalhos.
Dos tantos gozos que me escorreram, o último ainda me inundará.
Dos tantos amores escritos no coração, o penúltimo dorme em meus braços.
Dos tantos nomes que se juntaram ao meu, o derradeiro está no risco da palma da minha mão.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Teu norte no meu sul

Ouça:
Foo Fighters - Times Like These (Studio Acoustic)




"... Eu sou uma rodovia de mão única
Sou uma estrada para longe
Que segue você de volta para casa
Eu sou um poste aceso
Sou uma luz ofuscante
Piscando sem parar..."
(Foo Fighters)



Teu norte no meu sul

Maria Quitéria

Nesse nosso lance todo
em meio a todo um todo
quando lobos saem à caça
e mulheres se dão de graça
nesse espetáculo de circo
onde se paga só mico
se arrega, se deita de veneta
sem o gosto do leite da teta
a gente cria um outro canto
com um canto mais suave
meio asinha de ave
meio chorinho de encanto
fazemos canção e loa
prosa e verso sentido
o coração fica na boa
e a gente mais atrevido
o tesão dá a nota da pauta
e você dedilha as cordas
eu brinco com tua flauta
e o gozo mela nas bordas

tecemos um pano tão forte
pra com ele nos cobrirmos
escondendo teu apontado norte
no meu fundo sul de abismos...

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sábado, 4 de outubro de 2008

Me deixe deitar na tua cama...

Ouça:
 caetano veloso - à flor da pele



Me deixe deitar na tua cama...
Maria Quitéria

... sonhe comigo pelas tuas noites
deixe que meu cheiro te adentre
meu toque arrepie em leves açoites
subindo pelas tuas carnes e te entre
deixe minha imagem tomar conta
sinta o suor pingando no teu peito
escorrido dos meus seios na monta
do corpo que pesa desejo no teu leito
deixe a carne sentir os espasmos
o falo acobertado pela macia vermelha
e irrompa um dique de orgasmos
pela gata que desceu da tua telha
reviva cenas de carinho e trocas
dedilhe as cordas do instrumento
sinta o etéreo na força das entocas
e me beba direto do pensamento
acorde com a visão dessa imagem
pelos lençóis melados de riacho
do sêmen jorrado nessa viagem
comigo acavalada em você, macho...


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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dona do Raio

Ouça:
 Maria Bethania - A dona do raio

"... O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia
Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro, vira um corisco esse meu coração
Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão..."
(Dorival Caymmi)


Dona do Raio
Maria Quitéria

Risco teus céus com minha tempestade,
trago os ventos a despentear tuas idéias;
sou a guerreira que te mostra a verdade
nos rompantes do meu desejo de falésias.

Trisco tua carne com a fúria do vendaval,
queimando tua pele com o sal dos amores,
criando o olho do furacão em meu bacanal
nas fortes coxas abertas aos teus suores.

Sou a tua bênção e tua sina mais desvalida,
o corisco dos templos clamados, imemoriais;
sou a canga, a asa, entidade pura e atrevida,

de rosto coberto e corpo de vento e leveza,
na vaga da tua pele de onde vertem os sais
do teu sêmen que jorra orgasmo e pureza.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Como um Dejàvú

Ouça:
 Van Halen - Take Me Back (Deja Vu)



Como um Dejàvú
Maria Quitéria

Ele me tocou com o velho sentimento
que eu trazia no peito, cheio de saudade,
veio com mil tormentas em movimento
devastando a estrutura da minha cidade.
Mordeu as carnes todas da minha anca
voltou do longe, de onde havia partido.
me lanhou com a fúria de quem desbanca,
entrou nos meios de onde não devia ter saído.
Escorregou pelos antigos sonhos da fantasia,
jorrou o sêmen quente dos mistérios da criação,
trouxe o corpo de encaixe da minha orgia
entrando e saindo na sanha do meu tesão.
Me chamou de volta, como quem é dono,
como quem comanda a batalha e a conclui,
me acordou a carne de um profundo sono,
sussurrou meu nome ao gozo e eu... eu fui...

Simultâneo:
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Traduzindo-me

Ouça:
 Chico Buarque e Fagner - Traduzir-se



Traduzindo-me
Maria Quitéria

Das tantas que me habitam e me movem,
das putas, das vagabundas e das mundanas;
sou aquela, o entre e o meio das que servem
com a leveza e as coxas das belas mucamas.
Entre a perigosa e a que mata sem piedade,
entre a lady e a que derruba cavalo bravo,
estou no pêndulo entre a mentira e a verdade,
entre a cruz, a espada, o martelo e o cravo.
Dentre o amores e os ódios que me habitam,
entre o pecado e a desistência do perdão,
faço o meu número no teatro dos que incitam
e que vivem e morrem por um veneno ou tesão.
Entre a mulher, menina ainda, que sonha verso
e faz poesia para o menino amado e travesso,
sou o meu próprio espelho virado e transverso;
de carne dura, o olho astuto e a fúria do avesso.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cativa do teu corpo

 


Cativa do teu corpo
Maria Quitéria

Teu corpo nu e meu para a fome dos meus olhos
para o meu apetite desmedido de farra e orgia,
para o meu deleite, teu leite jorrado aos molhos,
meu demônio que canta a mais devassa melodia.
Meu corpo sôfrego de prazer e entregue ao teu,
o mel escorrido, besuntando dedos e vontades,
a noite dos sonhos mais escura que todo o breu
clareando gozos partilhados de tantas saudades.
Tua mão, feito uma cantiga, entoando as notas
dos órgãos expostos nas minhas carnes e pêlos,
meu mar entre as coxas pontilhando as gaivotas
dos teus dedos que sobem e descem em duelos.
A pele contra a pele, fomentando o jorro quente,
que escorre pelas vias das estrelas onde eu bebo
com a ânsia de uma louca ensandecida, delirante,
o teu prazer que me é dado e que liberta recebo;

aos grilhões do teu corpo inteiro meu e amante,
dentro da veia, na carne e na alma que te cedo.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fera inquieta



 



Fera inquieta
Maria Quitéria

Ele me espreita com seus olhos de animal
- um lobo de dentes arreganhados -
buscando a carne das entranhas e o sal
que me escorre pelos temporais jorrados.
Ele me vem nas noites sem que eu espere,
traz toda devassidão ao corpo que assanha
e, por mim, não há quem proteja ou zele,
quando me entrego ao prazer da sua manha.

Sou a outra, a que ele carrega em segredo,
um bicho que, como ele, sai à caça e luta;
a mulher que ele chama no estalar do dedo
e que se entrega como a mundana mais puta.

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Eu ainda digo que te amo


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Eu ainda digo que te amo
Maria Quitéria

Não, não direi que não te amei,
direi outras coisas ainda, e mais,
que te quero e das noites que te sonhei
ainda vivo aquela guerra sem ter paz;
não, não direi que não tenho ciúme,
nem que não mais me importo,
direi que morro e vivo de queixume
fingindo ser a Maria de cada porto;
direi que te desejo entre as coxas,
que quero a tua mordida e o teu falo
mais as deliciosas marcas roxas
e o grito urrado, que hoje calo;
direi que meu coração ainda dispara
quando você chega e me vem dissimulado
que meu corpo ainda se mexe com tua tara
e que gozo como se estivesse ao meu lado;
que da minha fogueira ainda é a chama,
o cigano do meu oásis, hoje só deserto,
o devasso homem que ainda me inflama
e que eu desejo ter por dentro e perto;
não, não direi que nada mais quero,
nem que não te sonho em minha cama,
não direi que não mais te espero
e que não sou aquela que te ama...

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