AVISO: CONTEÚDO ADULTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Deus pagão



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/betania_meu_amor.mid

Deus pagão
Maria Quitéria


Ele faz da orgia uma festa no Olimpo
Baco, meu Baco, bebendo de mim
como um fogo que corre pelo chão limpo
como os desejos da carne que não têm fim
a concha aberta de borda vermelha é taça
à sua boca de língua afoita e tão lisa
sentindo seu entranhar duro, na raça
na festa dos deuses em que Baco pisa
nas uvas e as bebe em profana arruaça
socando-as com seu pilão devasso e teso
afunda-se mais dentro macerando meu sumo
e besunta toda minha coxa com seu peso
tirando meu melhor vinho para seu consumo
brinca com as estrelas do céu da minha greta
bebe na fonte e me coloca o vinho na boca
se embriagando de mim e me morde a teta
com sua luxúria devassa enquanto soca
tão profano quanto os deuses mais devassos
cospe no universo do meu corpo em derrama
sôfrego e bêbado me encoxa em seus laços
como um pagão sem destino e sua mulher dama
espalhando dentre os mortais o nosso gozo
que, embriagados, derramamos pela vida
no Monte onde os deuses gozam gostoso
ou numa cama de zona, perdida...

Simultâneo:

terça-feira, 24 de junho de 2008

Delírios humanos


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/simonesc.wav


Delírios humanos
Maria Quitéria

Saciar a fome de corpo, luxúria e sexo

no instinto animal que nos comanda
e ir com gosto buscando o que não tem nexo
o que ruge em nós e nos desanda
lassear o corpo nas lambidas nos pêlos
sentir o suor colando na língua
macho e fêmea trocando desvelos
na razão que não existe e então nos míngua
arrepiar a carne e dobrar a espinha
chamando o macho com o cheiro do cio
abrindo as carnes como colo que aninha
derramando águas como fosse um rio
e depois colar o corpo cansado das estocadas
dos urros e gemidos, dos gozos do acasalamento
e ficar lambendo leve, como salvos de emboscada,
o sal derramado que ainda nos serve de alimento
e mais tarde, aos beijos, tocar a face tão amada
focar os olhos e se enroscar nos panos
de uma cama que viveu a arena da selva armada
e que agora acolhe os corpos tão humanos...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Meu corpo, tua fruta


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria2/angela_ro_ro_amor_meu_grande_amor.mid


Meu corpo, tua fruta
Maria Quitéria

Manga suculenta escorrida na tua boca

em mel tão denso e perfumes de cio
ao teu bicho que me faz assim tão louca
e ao teu falo mais duro, de doce pavio
fruta melada escorrida no queixo
passada nas mãos e pelo corpo tão quente
da língua esfregada em meio ao seixo
e no entre pernas, onde me crava o dente
eu te alimento com o melado das coxas
do fruto besuntado de tanta saliva
da tua mordida cravando marcas roxas
na fruta do parto que te acolhe tão viva...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Eu te quero...


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria3/paixao.wav

"... A gente pode tatear a pedra

Sentir a maciez em suas arestas...
Ouvir na dissonância de mil frestas
A harmonia acre-doce do prazer
No cheiro do outro se cheirar
E aguçadamente se provar..."
(Ana Terra & Ângela Ro Ro)

Eu teu quero...
Maria Quitéria

... como a bruma a tomar conta
passeando pela minha pele
sentindo o peso da tua monta
e que com força me descabele
eu te quero inteiro profanando
a mulher que se ajoelha
que se abre sem peia e vai dando
fazendo o que lhe dá na telha
te quero desarvorado e louco
chegando duro e já pingando
quero teu adentrar e não é pouco
quero tua foda me domando
quero mais, quero tua cadência
o entra e sai e o gozo jorrado
quero a tua indecência
meu corpo inteiro melado
o engate, o nó, o cão chupando manga
o demônio fazendo o movimento
quero você arrancando minha tanga
no dente, como teu alimento
quero que mastigue a carne nua
que morda os meios e os seios
que me diga que sou tua
e me coloque os arreios
que não me deixe solta por nada
querendo outros ou sonhando
que encare essa vagaba
fodendo e mais gozo me dando
pode vir que a casa é tua
me abro, arregaço e te mostro
me dou na calçada e na rua
e de quatro, ao teu mando, me prostro
é desse jeito que eu te quero
e é bem assim que me domina
meta e, sem muito lero
me chame de mulher de esquina...

Simultâneo:

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Chupa toda


[Ouça:


Que me arasse e semeasse
Entre a carne e a semente
Que me tivesse, me colhesse
E me abocanhasse, metendo o dente
Que se fartasse da melhor fruta
E que a minha polpa escorresse
Pela tua boca de fome astuta
Pelo teu desejo que me entontece
Que me tivesse em meio à terra
No dentro do mato, no canavial
Que, de mim, mordesse a parte tenra
Chupando o fruto, como um animal...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Canto torto

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/a_palo_seco.mid

Canto torto
Maria Quitéria


É tanto rio, tanto mar, montanha e neve
é tanto céu, tanta loa, trens e passagens
vôos de asas longas, pensamento breve
e o peito ansiando sons de outras paragens
querendo o ar cinza da cidade adormecida
o mendigo na calçada, o lanche no meio da rua
a via superlotada, a dor já tão conhecida
e a imensidão do brilho prata da lua nua
é um desejo de viver as mesmas coisas e tudo igual
desprezando areias, oásis e montes tão brancos
querendo a velha mata, o cálice, o ritual
o manto e a antiga mensagem do desejo nos flancos
ser de novo a cabrocha galopeira de um alazão
mesmo que só sonhado em verso e prosa e desatino
ter a terra como lençol, extravasar todo o tesão
com o gosto de chorar e rir do próprio destino...

domingo, 22 de junho de 2008

Necessidades


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/avessocpa.wav

Necessidades
Maria Quitéria


Você quer voltar depois de rasgar o verso,
quer o espetáculo, quer a letra,
precisa da sanha do reverso
e do ardor da minha greta
você jogou fora o meu poema,
de novo me negou como Pedro e calou
vingou a solidão matando o tema
fez e aconteceu e se mandou
mas ainda me quer e me sonha como sempre,
me deseja onde outras tantas falharam,
quer o que aqui é bem mais quente;
o que te assanha em desejos que te aram
a terra entre as coxas ao teu falo mais duro,
teu olho focado na mão que sobe e desce,
a letra jorrada de gozo impuro
o meu nome na tua boca, que não fenece,
você quer o sonho e as rosas que te dei,
quer a magia da ponta dos meus dedos,
quer o calor que nunca te neguei
- a palavra fechada em segredos -
você precisa do meu delírio como uma droga,
quer a corda amarrada e que eu não te solte,
quer a língua da minha letra que ainda te afoga,
o tesão que só eu te dou, então... volte...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Essas coisas...


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/negrali.wav

Essas coisas...
Maria Quitéria

E porque eu ainda te sonho
é que galopo, de novo,
o corcel negro da poesia

Tenho saudade, meu amor, saudade
palavra que aqui não tem plural
palavra que se junta e dói de verdade
palavra que se soma e me faz mal
Tenho medo, minha doçura, muito medo
de ter tido coragem de me atrever
de ter te contado tanto segredo
e você não ter entendido o meu querer
Tenho desejos, meu tesão, muitos desejos
eles me sobem nas noites de luar
e por mais que eu me negue aos ensejos
é por você que palpita e escorre o meu gozar
Tenho loucuras, meu homem, muitas loucuras
- espaços da mente que nem ouso -
pego as migalhas que me deu e elas são curas
para minha ave desarvorada e sem pouso
Tenho sonhos, meu senhor, muitos sonhos
delírios de tê-lo em pêlo e peso
frações de orgasmos medonhos
por imaginá-lo em minha boca mais teso...

Tenho essas coisas e deliro de montão
nessas vontades que me chegam e vão dando cria
na querência louca de dançar nua na tua mão
e que já não passam com banho de água fria...

http://recantodasletras.uol.com.br/

De solidão e rosas


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/am.aconteceu.wav


De solidão e rosas
Maria Quitéria

Toquei as pétalas das palavras com as mãos
e elas tocaram em mim com a suavidade
dos desejos cálidos, aplacados pelos vãos,
e pela eternidade da distância e da saudade
me inebriei do perfume da pétala rubra
sentindo a umidade do orvalho macio;
lambi o espinho a que o sangue me recubra
o lábio inchado pelo delírio do meu cio
e o tango começou a tocar no meu ouvido
dançando pelas minhas pernas mais afoito
como fossem os dedos de um bandido
passando pela minha carne antes do coito
e, tão sôfrega, gemi a última palavra em grito
pelo sal que me sangrava a língua e o meios
da rosa passada pelo corpo, como em rito,
transformada em falo entre os meus seios...

http://recantodasletras.uol.com.br/

sábado, 21 de junho de 2008

Amor fugaz


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/am.wav

Amor fugaz
Maria Quitéria


Você me aparece com essa cara
com esse teu olho tão escuro
e aguça demais a minha tara
em desejos de sacanagem atrás do muro
você tem essa cara de índio selvagem
de malandro pronto pra orgia
e eu sigo o teu olho numa viagem
como se fosse pra mim a tua folia
você tem essa coisa que me endoidece
me deixa lesa e toda sem sentido
e meu corpo inteiro fenece
querendo o teu peso bandido
você vem todo animal
um predador de fêmeas e entoca
como se fosse natural
beber o sal da minha boca
e fazer correr um melado solitário
que lambo entre os meus dedos
chamando de ordinário
quem eu amo em segredo...


http://recantodasletras.uol.com.br/


Holocausto


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/frejat.doislados.wav

"São dois lados dessa moeda
Chamada obsessão
Amor e ódio moram juntos
Dividindo esse coração...
O pecado mora ao lado

Café na cama, traição
Abraçados, arame farpado
Não há luz sem escuridão..."
(Frejat)


Holocausto
Maria Quitéria


Quão de mim atravessará as paredes
e sairá, ao mundo, abrindo as janelas
dessa torre de marfim e suas redes
onde me aprisiono em vidas paralelas;
quão de mim vislumbrará horizontes
e seguirá, impávida, como se inocente,
traçando sexo e luxúria em tantas pontes
num esgar dorido a me trincar o dente;
quão, quais, em quantas me reparto,
me alvoroço, me apresento, me assombro,
em qual de mim, hoje, farei um parto
e renascerei da cinza de um escombro;
quem me apontará o dedo e me culpará,
quem me ofertará a chave da algema,
quem, com delicadeza, me acariciará,
quem ofertará o ombro e dirá: não tema?

por não saber me revisto da armadura
e o sorriso estampa a minha face em defesa,
a espada desembainhada em proteção dura
na devassidão que deito em cama e mesa
dessas escadas por onde subo e vou ao céu
- distando a torre a um longínquo ponto -
camuflando o que sou: tão doce, tão mel,
com tijolos do meu eu em seu confronto.

Simultâneo:

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Feito você



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/nando_nao_vou_me_adaptar.mid



Feito você
Maria Quitéria

"Eu não caibo mais nas roupas
Que eu cabia
Eu não encho mais a casa
De alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia..."
(Arnaldo Antunes)


Você falou de porrada
versou, fez sexo
disse coisa sem nexo
me deu letra de pancada
você chorou a pitanga
fez cara de coitadinho
de cão chupando manga
e mandou ver no sapatinho
você sacaneou de montão
iludiu pra cacete
tinha macete
e me dava um puta tesão
você sente a passagem
se curva ao tempo ido
mas ainda é bandido
e tem penca de bagagem
não vou apontar
nem falar de defeito
fico até meio sem jeito
de dizer e me espelhar
e igual a você também ando
meio que em desequilíbrio
falta o lance - trem e trilho-
mão e luva e vôo em bando
feito você eu também não
situo nem tenho a mesma cara
agora tô numas de solidão
e só você desperta minha tara
ando naquelas sem graça
de não entender nem sacar
também não vou me adaptar
e perdi o pique da pirraça
de afrontar bagaça
sentar no meio fio
tomar uma branca no rio
e encarar tudo na raça.

Simultâneo:
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Das ausências


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/estrelas.mid


Das ausências
Maria Quitéria


Tua palavra bailava nas minhas manhãs
- era a poesia que eu decifrava -
que me acalentava no delírio das febres terçãs
como se fossem mandamentos e alimentava
meu corpo e meu dia, por todo o dia,
por todo o tempo, por todo meu momento
meu carnaval fora de época, minha folia
minha festa, minhas águas em movimento
tua alegria escrita em forma de desejo
era a manteiga deslizando no meu pão
a saliva escorregando, toda macia, no beijo
a luva que cabia na palma e dedos da minha mão
tua palavra brilhava como a estrela Dalva
- que ainda ficava piscando pelo dia -
depois de abraçar a noite de lua mais alva
na minha letra torta e de imprecisa poesia
teu verso era a lona do meu circo, a conta do terço
o feitiço que em meu caldeirão eu misturava
era como fosse meu primeiro amor e não esqueço
como o primeiro gozo que, sem saber, eu já gozava...

"...quando eu não estiver por perto,
canta aquela música que a gente ria,
- é tudo o que eu cantaria -
e quando eu for embora, você cantará..."


Simultâneo:
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Língua em fio de navalha



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteamando/sideral.wav

Língua em fio de navalha
(Maria Quitéria)

Tenho alguns piercings e tatuagem
e uma voragem
de viver aquele homem
que me consome
me mata de fome
me deixa em inanição
sem tesão
detenta
da sua algema-poesia
que é dia
noite
açoite
e fantasia
Tenho uns desejos de cama e sedução
vontade de mão
e pau entre as coxas
de umas mordidas roxas
dos dentes nos bicos
os picos
do gozo nos meios
os seios acobertando
o membro deslizante
do amante
metendo
Tenho uma cantiga e um tom
vermelho batom
que a boca abarca
desejo de deixar marca
vermelha
na cueca branca
e morder uma anca
uma bunda peluda
a mão na taluda
punhetando na banca
Tenho umas coisas muito loucas
vontades não poucas
de viver paixão
de sentir nas bocas
- de baixo e de cima -
um clima
de devassidão
Tenho umas querências de loucuras
dores sem curas
de encontrar um grão
que germine
não termine
um homem que, enfim, me roube
daquele que não me quis ou coube
e que levou meu coração...

Simultâneo:


ENQUANTO ME JULGAS


ENQUANTO ME JULGAS
(Maria Quitéria)

"eles riem de mim porque sou diferente,
eu rio deles porque são todos iguais."
(Kurt Cobain)

E u vou seguindo reto o meu caminho torto,
N ão recuo, vivo de fazer alarde e não me comporto;
Q uero é mais algazarra, alegria e muito mais folia,
U m é bem pouco, dois é quase bom e três é demais!
A ssim levo na farra e com gosto o meu dia
N em dando trela e, muito menos, bola pros tais.
T enho sim, um desejo imenso que me arrasta;
O uso, me atrevo, falo às claras e a minha casta,

M ais me agracia em vitórias no ringue da minha luta;
E é isso mesmo: pode me chamar de puta!

J ocosa, me desnudo e aceito com o maior gosto;
U m elogio desses é pra ter no peito como medalha
L ouvado até, o pódio mais alto, a subida no posto,
G algado pela competência de quem sabe fazer bandalha
A ceitando e me deliciando do tesão que tenho de sobra,
S eguindo sem ser prostituta: porque puta dá e não cobra.

Simultâneo:


Cheio de vazio


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/cheiodevaziopm.wav

Cheio de vazio
(Maria Quitéria)


Tem lugares onde o mar é bem mais límpido e claro,
o céu é cheio de nuvens branquinhas, branquinhas;
mas o coração fica ali parado, não tem disparo
nem os olhos brilham de desejo nas esquadrinhas,
o corpo lasseia e sente o impacto do sol e seu fogo
queima a carne e a pele dando um tom mais dourado,
mas não há movimento da rainha e do rei nesse jogo,
como um xadrez da natureza, sem cavalo enviesado;
o sangue corre e pulsa uma quentura entre as coxas,
uma vontade de rolar na areia e sentir um abraço,
- a boca seca por falta da saliva de um beijo -
e as curvas balanceiam em seu passo mais lasso,
como se estivessem sem atino, sem rumo, frouxas
e todo o corpo sente o impacto das ondas duras
batidas em espumas entre as pernas solitárias
querendo aquele homem em meio ao sal dessas brumas
deslizando suas águas de sêmen, tão arbitrárias,
e se faz a magia do retorno e os olhos mais que buscam
o corpo sente a aproximação fugaz liberando a saudade,
pois nenhum lugar do mundo traz essas luzes que ofuscam
e a delícia de saber que mesmo distante, em verdade,
mesmo não o tendo nos gozos que em mim triscam,
estou respirando com ele o mesmo ar dessa cidade...


Simultâneo:


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Todo mundo é lobo por dentro



Ouça :
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/om.wav

"Você me disse que eu sou petulante, né?
acho que sou sim, viu?
como a água que desce a cachoeira
e não pergunta se pode passar
você me disse que meu olho é duro como faca
acho que é sim, viu?
como é duro o tronco da mangueira
onde você precisa encostar
você me disse que eu destruo sempre
a sua mais romântica ilusão
e que destruo sempre com minha palavra
o que me incomodou
acho que é sim
como fere e faz barulho um bicho que se machucou, viu?"
(Oswaldo Montenegro)


Todo mundo é lobo por dentro
(Maria Quitéria)

Tenho os dentes mais raivosos
- quando em mim as palavras são ternas -
a voz alcança sons lentos, maviosos
e, sem mais, eu flexiono as pernas;
e aí eu mordo e arranco sangue
uivando minha fúria mais doce
deixando a caça toda exangue
como se de papel fosse.
E é ali que a poesia brota
que a canção grita no fio
rascante como roupa rota
sinuosa como água de rio;
e farejo e me esgueiro e instigo
arreganho os caninos
no bailar do trigo
de versos meninos
e sigo morro acima entre as cobras
outros bichos que, como eu,
atacam quando feridos, não deixam sobras
e seguem altivos como quem não morreu.

Simultâneo:

Balada de Câncer: Dos desejos que não me dormem



http://www.youtube.com/watch?v=4cQH-UWRcPE&feature=related

Balada de Câncer: Dos desejos que não me dormem
(Maria Quitéria)

"... meu coração vive cheio de amor e deserto
perto de ti dança a minha alma desarmada
nada peço ao sol que brilha
se o mar é uma armadilha
nos teus olhos..."
(Zeca Baleiro/Fagner)


Faz tanto tempo e o sol de outros cantos me lembrou
ao ver as casas tão brancas de azuis janelinhas
os teus versos no meu peito, um sonho que ficou
de brincadeiras, maçãs, tesões e amarelinhas
nós dois nas manhãs, cada qual na sua vida
você, com suas paixões e tantas mulheres
com tua comida farta e tantos talheres
eu, sozinha, carregando o fardo da minha lida
faz tempo, e o mar do mediterrâneo bailou
umas ondas mareadas de espumas brancas
dançando canções de desejo nas minhas ancas
e a solidão dos meus olhos de novo o manto fiou
uma antiga colcha que me aquecia no frio do inverno
com novelos que eu inventei com cores de paixão
imaginando o gozo que explodiria como lavas de vulcão
se eu pudesse deitar o teu céu no meu inferno...


Simultâneo:


quinta-feira, 24 de abril de 2008

É só você chegar


É só você chegar
Maria Quitéria


Quando você me fala desse amor,
eu tropeço no sonho e já me deito,
fico meio sem palavras, toda sem jeito
e já me sobe, no corpo todo, um calor.

Me dá aquela coisa mais que gostosa,
uma vontade de me aninhar no teu colo,
de rolar nua, safada, com você pelo solo
e ronronar baixinho, bem manhosa;

colada no teu sexo, falando indecências,
lambendo teu pescoço, encarando a luta,
deixando que veja em mim a grande puta,

a danada profana a te fazer confidências,
que te mostra, sem pudor, o corpo suado,
os peitos, as coxas, os meios e o melado...

[Entrelábios]

Simultâneo:

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pau a pau



Pau a pau
Maria Quitéria


Você bebeu foi de gole
e eu que fiquei de porre
de tanto beber estrelas
você não me deu mole
lascou no teu desforre
dando umas lambidelas
e eu fiquei só de boa
sentindo o fogo subindo
enquanto a água escorria
danada de mulher à toa
gemendo e só curtindo
o gosto da tua folia
você tomou foi com gosto
bebeu o mel e lambeu
se regalando na fonte
e eu só ali no recosto
curtindo um gozo tão meu
as coxas abertas em ponte

mas depois a gente se ajeita
te juro que pago dobrado
a farra desse embate
você vem e se deita
deixa teu mastro içado
que eu cuido desse empate...


Simultâneo:

Oceânica



Oceânica
Maria Quitéria

...meu corpo busca-te e continua a buscar-te
fio entre as pernas e a aranha abre-se
- terna -
desejando-lhe o caralho
metido entre o talho
fornicando-me
massageando-me
alisando-me
gozo à tua lembrança
à lambança
à tua dança de cacete gotejante
a ti que és o amante
a fazer-me entrar em curto
tendo espasmos e desatinos
gozando como louca
sonhando-te a boca
a lamber-me e beijar-me
querendo-te a atar-me
a prender-me na teia
que enredas e desenhas
que fazes com que tenhas
o colorido mais lindo em mim
riscando-me a pele
com teu desejo de macho
fazendo-me assim
também com o racho
a arrancar tintas e cores
desenhando-te amores
cá no sonho que vivo
onde todas as flores
agora possuem o desejo vivo
da pele que tu tens
quando cá vens
nas andanças de poeta
no melado da minha boceta
nos pêlos que eu toco e puxo
és tu um bruxo
a fazer-me loucuras nas carnes
vadiando pelas tardes
escorrendo gozos salgados
que deixo no mar cá na encosta
quando as ondas tocam-me a pele
e penso no que gostas
querendo-te aos desejos e em gozo
desejando-o feliz e gostoso
e cá já clareia o mar e o céu
a distância fica quase nada
ter-te na lembrança é o mel
que envio-te em pensamento
soprando-te um beijo ao vento
e derramando, por ti, tantas águas...


Simultâneo:


Se achega, nego...



Se achega, nego...
Maria Quitéria


Aqui estou ao teu assanhado
- gostosa e toda pronta -
inteira pra tua monta
de cavalo em trotado,
estou toda dengosa e tesa,
vem, que eu te dou na mesa,
no mato, na relva, na cama,
vem, que eu viro tua dama
puta, meretriz, não importa o nome
sou eu, o prato da tua fome
a mistura do teu arroz e feijão
comida sem talher, com gosto e tesão
vem fundo no teu arremesso
em mim não há vergonhas, nem meço
palavras, atos, contradições
sou carne entregue, farta de sensações
faz de mim o que deseja
pouco importa se na mesa,
no chão, sofá ou parede,
que seja no embalo da rede,
que seja em pé ou deitada,
o lance e o bom da trepada
é o gozo suado, exaurido,
o delírio da transa, o gemido...


Sampa,23.04.2008

Simultâneo:

domingo, 6 de abril de 2008

Desejo


[Cena do The Notebook]
http://www.youtube.com/watch?v=kTLDLWhgV1c


Desejo

Maria Quitéria

E é essa a fome que se tem
esse desejo de pular no colo
de encaixar feito trilho e trem
cometer o crime em dolo
sentir o sangue pulsar na veia
o corpo a corpo, a fúria
o delírio de enredar a teia
de sexo, lascívia e luxúria
é essa a fome que não sacia
por mais que se coma mais se quer
é esse corpo que vicia
essa vontade louca de comer
de abocanhar o pêlo a carne a boca
suar o poro, destilar o sal
trançar a coxa na entoca
fazer a ceia no maior vendaval...

Sampa, 06.04.2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fora de alcance



Veja:
http://br.youtube.com/watch?v=M-mvjSv9sNE&feature=related

Fora de alcance
Maria Quitéria

Fui embora, não olhei para trás
tive outro, me deitei, amei
rasguei a roupa que eu te dei
troquei juras e pedi mais
sangrei canções e as cuspi
bebi do teu copo em outra boca
andei nua, cacei, fiquei louca
e outro amor eu pari
abri as coxas gemendo
suei orgasmos e danos
movimentei teus panos
com outro, tremendo
danei a suar meu gozo
sussurrei palavras mentirosas
entoei umas loas maviosas
num gozo mais gostoso
eu fui, te disse adeus e fim
foi um troco sem queixume
abalei a estrutura e o teu ciúme
e você sabia que seria assim...

Sampa, 04.04.2008

Folhetim


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteamando/gal_costa_folhetim2.wav

Folhetim
Maria Quitéria

Eu sei, não deixei meu endereço
fiquei um tanto amalucada
com tanto apreço
que até saí sem dizer nada;
eu sei, também não disse o telefone
é que estava de perna bamba
com a mente em celofane
embrulhada de gozo e samba;
eu sei, nem falei meu nome,
entrei muda e saí calada
mas matei a tua fome
e gemi na tua balada;
eu sei, te dei os meios,
fiz o parto inverso,
deixei que me mordesse os seios
e escrevesse, na minha pele, o verso;
eu sei, esqueci a calcinha,
fui rebolando pra saída,
doida de pedra, afoita de rinha,
mulher vadia e distraída...

Sampa, 14.03.2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

Te devo esse sonho



Ouça
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/te_debo_este_sueno.wav


Te devo esse sonho
Maria Quitéria


Eu te procuro nas noites mais silenciosas
E te encontro entre lençóis, me esperando,
Me enrosco, provoco, levanto cheiro de rosas
E te atiço com meu suor de absinto, exalando;

Entro no teu sonho e te trago todos os delírios,
Os suores noturnos, a ereção firme do teu falo,
Uma letargia, o gemido com meu toque de lírios
E tua boca eu busco e com a minha eu te calo;

Sigo no teu sonho e te mostro meu querer,
Toco teu corpo com o meu, macia, deslizo lenta,
Abro as minhas coxas e te monto com prazer;

Te dou o gozo derramado no silêncio do quarto,
- Retorno, na manhã, com o ardor da menta -
Com o entre-pernas queimando, como num parto...


Sampa, 18.03.2008

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br
http://versosprofanos.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de março de 2008

Querências




Para ouvir:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/jane_birkin_e_serge_gainsbourg_je_taime_moi_non_plus.mid

Para ver :
http://br.youtube.com/watch?v=hLpw1GSA5o0



Querências
Maria Quitéria

Eu te sinto tão real em meu corpo nas noites,
como se estivesses ali, pesando sobre mim,
sinto o denso do teu falo em fortes açoites
e o teu estocar duro de um prazer sem fim;

Por te sonhar tanto, até invento o teu cheiro,
ele paira leve, nas sombras da cama em dossel
e o frêmito do meu corpo espoca e vem ligeiro
pelos meus dedos besuntados de saliva e mel;

Eu me entrego, ao largo, na luxúria do sonhar,
seguindo teu corpo como se o pudesse tocar
e pela sensação do gozo que desaba em mim;

ao trançado das pernas, solitárias e confusas,
ao vermelho do meu sangue nas luzes difusas,
no rolar quente e suado pelos lençóis de cetim...

Sampa, 03.03.2008

Simultâneo:

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Puto



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/cantinho.mid

Puto
Maria Quitéria

Ele veio todo gostoso
safado, chegou junto
e o assunto
é queria gozo

me levou pro canto
e, pra meu espanto,
encoxou e pôs pra fora
mandou: - chupa, agora!

eu que tava de boa
- à-toa -
querendo esquecer,
entrei numas de reaver

abocanhei na maior
aquele pau servidor
ajoelhei na pica do macho
rezei, reassumindo meu posto
babando sêmen com o gosto
daquele antigo cacho...

Simultâneo:

http://versosprofanos.blogspot.com

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tudo passa, menos você



[Para ouvir a música completa]
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/o_avesso_dos_ponteiros.wav

[Para assistir ao vídeo* com o poema musicado]
http://br.youtube.com/watch?v=klm9EJ0LPr8


Tudo passa, menos você
Maria Quitéria


Te dei tantos versos densos, tantas canções,
- Rimas beijos, prosa sexo, palavra mão -
Senti o escorrido quente das tuas aflições
Nas coxas do meu poema que vertia tesão;

Mostrei meu endereço, a trave, te dei a chave,
Fui tão sincera, livre, aberta, tão cristalina,
Te puxei ao peito, mulher madura pra tua nave,
Ri o riso dos loucos, espevitada, brinquei menina.

Ah, meu amor, como eu te quis na minha vida,
Como eu vesti meu manto, te invocando na lida
E bastava tão pouco para viver todo aquele sonho;

Pra sentir tua pele e ver teu olho escuro sorrindo,
Mas o tempo rimado passou e você foi ao longe, indo
E eu aqui, ainda te vivendo no verso que componho...

Sampa, 21.02.2008


Simultâneo:
http://www.poetasadvogados.com.br


*O vídeo não ficou muito bom, o pc não me obedece
pra cortar a mid - aliás, ninguém me obedece - (rs).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Poderosa



Do mais alto ao mais baixo lugar
Irei onde quer que você vá"
(The Calling)


Poderosa
Maria Quitéria


Você, um homem tão intenso
de tanto fogo e desatino
a me fazer perder o senso
a me estocar a fenda e o tino

você,
que faz gostoso e é macho
como poucos nem se assemelham
lambuza e amanteiga meu tacho
e os pentelhos se despenteiam
com a tora no duro do malho
me acende queimando por baixo
no lanho do teu encaixo
até que me mele o talho
no teu deslizar no meu racho
incendiando a foda e o samba
na canção que escorre mais bamba
e a teta me dói um bocado
com teus dentes afiados nela
arrancando um leite abortado
me descortinando feito janela
metendo o escuro do lenho
na fenda macia e mais rubra
sugando tudo o que tenho
mandando, na raça, que o cubra
a anca redonda virada
pra tua torta dura e mais certa
me deixando vadia, tarada
inteira dadeira e desperta
e vem e brinca com tudo
mete uma espanhola no peito
lambuza em cima, embaixo
na força, na farra do leito
balança, na minha cara, o taludo
e me entra de tudo que é jeito
vem e me arregaça parrudo
e chupa
machuca
cutuca
lambuza
bate
mete
me usa
e eu já dano no escracho
- sou eu a tua musa -
a que dá conta do teu facho...

Sampa, 19.02.2008

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cigano



Cigano
Maria Quitéria

Atravesso os desertos
os desvãos
vou onde os homens são guerreiros
deitando tesão
danço aos sons dos violinos
meninos
minhas saias bailam
entre as pernas
rodopio
e os véus
dos arrepios
incendeiam
a fogueira crepita
a odalisca em chama
chama
teu fogo cigano
queima as carnes
me desnuda
vem pra luta!
dança
vem, Cigano
trança
vem no dano
deita o corpo nas areias
entra nas minhas veias
vem, Cigano!
tira o pano
rasga as notas
rompe as cordas
das amarras
com que me amarras...

Sampa, 15.02.2008

Ouça:
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/cancoes/9763


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A sós com a noite



[Para ver e ouvir]
http://br.youtube.com/watch?v=NBW9zUkVgrg

A sós com a noite
Maria Quitéria

Me desvio pensando em você a cada momento,
mas é na noite que as memórias mais doem,
que elas fazem o percurso do suave movimento
dos nossos corpos entrelaçados e me corroem;
rolo nos lençóis acetinados, nos sons da solidão,
e em mim queima e arde uma chama inclemente,
como fosse a doença do fogo selvagem em tesão,
embaçando o coeso púrpuro da minha mente
e essa solidão avassaladora me leva aos desvarios
de buscar-te, encontrando-o em meus dedos,
tocando fundo as carnes e derramando rios
que vão de encontro ao teu mar de segredos,
desse proibido da tua distância e que me veste
de um roupa devassa de penugem pecaminosa
que se eleva na fumaça do cigarro e se tece
nas cenas alheias do gozo que arranco, criminosa...

Simultâneo:



sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sí tu não estás aquí



Musicado e editado no Youtube
http://br.youtube.com/watch?v=OnNFCOG7DBg

Sí tu não estás aquí
Maria Quitéria



Na tua ausência me falta o ar
sinto minhas águas secando
em mim as estrelas fogem
e a noite cai sem madrugada
sem você, a nudez é sem velar
sem a mão acariciando
como pequenos pássaros que fogem
da gaiola escancarada

sem você, sinto pequeno o universo
numa cantiga pobre e sem toada
derramo a nota desafinada no verso
de uma boca sem beijo e calada...

Sampa, 07.02.2008

Fiz uma primeira experiência com vídeos.
Apenas editei algumas imagens que já
haviam sido trabalhadas no blog. Ainda
está muito amador, mas gostei de tentar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Meu sonho, meu tesão



Meu sonho, meu tesão
(Maria Quitéria)

Te sonhar é gostoso demais,
é andar nua nesse faz de conta,
ser livre como os animais,
ser criança que só apronta;
te querer é brincar no chuveiro,
abrir as pernas e deixar correr
águas de dentro, águas de cheiro,
gozos sentidos de querência e prazer;
te desejar é arrepio de pêlo,
é coxa aberta, dedos esfregando,
inchaço e vermelhidão de grelo,
gostosuras de viver se bolinando;
é ir mais longe na imaginação,
ser mais gostosa, inteira vagabunda
e gozar só em pesar no tesão
de brincar de língua na tua bunda...

Do E-book Toda Nudez Será Perdoada:
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=429872

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Fonte... Amor




Fonte... Amor
(Maria Quitéria)

O amor não é mesquinho. Ele preenche tudo

Ele é o lume, ele é o meio e o fim
No amor não há entretanto, nem contudo
Há um limiar como o que vive dentro, em mim
Ele não precisa ser desejado
Porque se carrega e é um fim em si mesmo
Não se curva nem quer ninguém ajoelhado
Não escolhe, apenas existe e não é a esmo
Jamais irá trair, porque nunca foi posse
Ele é doação, é esse carinho, proteção
É distância se preciso, mas está como fosse
O mais perto, dentro, almofada no coração
Só os que amam, os que não buscam o efêmero
Que se abrem e se entregam a ele é que sabem
Que tudo pode desabar, o mundo ficar enfermo
Mas ele é tão imenso e sábio que nada o detém
É como um rio que transborda em abundância
- Não pode ser aprisionado em barreiras -
Está em mim como a fonte, é minha substância
Derrama, entorna, escorre até pelas beiras

Renegar o amor que sinto é como fechar a fonte
Estagnar a água mais pura que me habita
Criando um limbo entre a água e a ponte
Matando qualquer vida que em mim palpita.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Certezas


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/pessoal_quiteria/musica1165dona.wav

Certezas
(Maria Quitéria)

Anda, me conta seus desejos
diz pra mim tudo o que sente
fala que tem vontade dos meus beijos
me diz o pensa e o que pressente

Me conta todas as coisas que imagina
desde as mais loucas até as normais
me fala que me sente na tua sina
e que nós dois seremos os tais
me diz que deseja que eu te pertença
que me quer, que sente ciúme, que fica louco
que tem vontade de me dar uma prensa
quando imagina que eu possa estar com outro
me fala essas coisas que sente, conta tudo
diz que essas que andam com você não são nada
que teu coração está protegido por um escudo
que amor é o que sente pela tua dourada
que eu e você vamos viver o sonho todo
vamos enlouquecer juntos e viver de paixão
que o juízo, a vida, o trabalho, tudo é engodo
que daqui pra frente só vai valer nosso tesão.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Relatividade



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/pessoal_quiteria/me_and_you.wav

Relatividade
(Maria Quitéria)

Um dia sozinha é muito, é demais
é quase como ir forçada ao vácuo
é fazer do corpo um reles átomo
partido e sub-partido em muitos ais
é como sofrer de uma morte dupla
capengar pelas vias, trôpega, cegamente
tomar para si o pecado e toda a culpa
dos nãos que nos vem de repente
ficar sem te saber por um momento
é como me entregar a um carrasco
baixar a cabeça a todo um tormento
e beber todo o veneno do frasco
ficar distante sem nenhuma esperança
de letra, palavra, sem saber teu cheiro
é virar adulto em tempo de ser criança
e morrer, antes de se nascer primeiro.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Dormir contigo



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteamando/dormir_contigo.mid

Dormir contigo
(Maria Quitéria)

Dormir contigo
e te sentir dentro
acordando
com o falo tocando
as ancas
dedos no umbigo
desbancas
dormir contigo
e sentir o melado dos dedos
desvendando segredos
tocando por baixo
acendendo o facho
puxando num beijo
dormir contigo
sentir o teso todo teso
a força do desejo
no meu ventre
entranhas que bendigo
dormir contigo
lanhada na raça
ser assim, acordada
e gozar
enquanto me traças...