Nunca houve uma mulher como você
Sou a tua puta preferida
Maria Quitéria
Eu sou esse bicho que você sabia que eu era
sou canção, letra, toada e buceta
sou risco, perigo, mansão e tapera
sou teu frisson, delírio de lama e sarjeta
sou a loa que te entrou pela noite adentro
a outra, a marginal, bandida de doer
a que te deu chão, rima e pavimento
e que botou o lance todo pra foder
leoa, loba, mulher de esquina, vagabunda
erótica, pornográfica, mansidão de zona
mulher à toa que balança a bunda
e abre a flor e dá o nome que tem: cona
sou a que não se faz, a que apenas é
a que você sonhou noites à fio e punhetou
a mesma que você misturou na sua falta de fé
mas que te entrou corpo adentro e que gozou
no verbo, na letra, na calçada, na poesia
a mulher que passa exalando o cio da cadela
que vive de gargalhar e de orgia
a que não dá a mínima mas te abre a janela
deixa a passagem, a porta destrancada
a que você tenta esquecer, insulta e luta
que no teu dentro vive nua e escancarada
a mulher que é teu espelho... a tua puta.
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