Ouça:
Sou uma santa
Maria Quitéria
Sou pudica quando nua
Simultâneo:

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/dona.mid
Dentre todas...
Maria Quitéria
Dentre todas que te assanham
sou a que te faz mais duro
a gostosa arruaceira
que tem mel por todo furo
dentre todas que se entregam
sou a que te dá tesão
a bela quenga mais rameira
que tira leite da tua mão
dentre todas que te atiçam
sou o nó atado em laço
com minha anca mais faceira
e na aranha o pêlo em traço
dentre todas que barganham
sou a que te alucina
a vagaba mais arteira
que tem gosto de esquina
dentre todas que arreganham
sou a caça que enlouquece
que sussurra só besteira
e o teu pau levanta e cresce
dentre todas que te arranham
sou teu gosto de peleja
por minhas coxas em fogueira
sou a que tu mais festeja
dentre todas que te lanham
sou o bicho do teu gozo
a que traz a cachoeira
e que goza mais gostoso
dentre todas que te cercam
sou a que te deixa louco
carregado de ciumeira
por ter tanto e dar tão pouco
dentre todas que alucinam
sou a fêmea mais lustrosa
a bonita feiticeira
por quem tu punheta e goza...
Simultâneo:

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/paixaolos.mid
De tesões e palavras
Maria Quitéria
Um frio mentiroso me escorrega

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria3/paixao.wav
"... A gente pode tatear a pedra
Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/a_palo_seco.mid
Canto torto
Maria Quitéria
É tanto rio, tanto mar, montanha e neve
é tanto céu, tanta loa, trens e passagens
vôos de asas longas, pensamento breve
e o peito ansiando sons de outras paragens
querendo o ar cinza da cidade adormecida
o mendigo na calçada, o lanche no meio da rua
a via superlotada, a dor já tão conhecida
e a imensidão do brilho prata da lua nua
é um desejo de viver as mesmas coisas e tudo igual
desprezando areias, oásis e montes tão brancos
querendo a velha mata, o cálice, o ritual
o manto e a antiga mensagem do desejo nos flancos
ser de novo a cabrocha galopeira de um alazão
mesmo que só sonhado em verso e prosa e desatino
ter a terra como lençol, extravasar todo o tesão
com o gosto de chorar e rir do próprio destino...

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/am.aconteceu.wav
De solidão e rosas
Maria Quitéria
Toquei as pétalas das palavras com as mãos
e elas tocaram em mim com a suavidade
dos desejos cálidos, aplacados pelos vãos,
e pela eternidade da distância e da saudade
me inebriei do perfume da pétala rubra
sentindo a umidade do orvalho macio;
lambi o espinho a que o sangue me recubra
o lábio inchado pelo delírio do meu cio
e o tango começou a tocar no meu ouvido
dançando pelas minhas pernas mais afoito
como fossem os dedos de um bandido
passando pela minha carne antes do coito
e, tão sôfrega, gemi a última palavra em grito
pelo sal que me sangrava a língua e o meios
da rosa passada pelo corpo, como em rito,
transformada em falo entre os meus seios...
http://recantodasletras.uol.com.br/

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/frejat.doislados.wav
"São dois lados dessa moeda
Chamada obsessão
Amor e ódio moram juntos
Dividindo esse coração...
O pecado mora ao lado
Café na cama, traição
Abraçados, arame farpado
Não há luz sem escuridão..."
(Frejat)
Holocausto
Maria Quitéria
Quão de mim atravessará as paredes
e sairá, ao mundo, abrindo as janelas
dessa torre de marfim e suas redes
onde me aprisiono em vidas paralelas;
quão de mim vislumbrará horizontes
e seguirá, impávida, como se inocente,
traçando sexo e luxúria em tantas pontes
num esgar dorido a me trincar o dente;
quão, quais, em quantas me reparto,
me alvoroço, me apresento, me assombro,
em qual de mim, hoje, farei um parto
e renascerei da cinza de um escombro;
quem me apontará o dedo e me culpará,
quem me ofertará a chave da algema,
quem, com delicadeza, me acariciará,
quem ofertará o ombro e dirá: não tema?
por não saber me revisto da armadura
e o sorriso estampa a minha face em defesa,
a espada desembainhada em proteção dura
na devassidão que deito em cama e mesa
dessas escadas por onde subo e vou ao céu
- distando a torre a um longínquo ponto -
camuflando o que sou: tão doce, tão mel,
com tijolos do meu eu em seu confronto.
Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/nando_nao_vou_me_adaptar.mid
Feito você
Maria Quitéria
"Eu não caibo mais nas roupas
Que eu cabia
Eu não encho mais a casa
De alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia..."
(Arnaldo Antunes)
Você falou de porrada
versou, fez sexo
disse coisa sem nexo
me deu letra de pancada
você chorou a pitanga
fez cara de coitadinho
de cão chupando manga
e mandou ver no sapatinho
você sacaneou de montão
iludiu pra cacete
tinha macete
e me dava um puta tesão
você sente a passagem
se curva ao tempo ido
mas ainda é bandido
e tem penca de bagagem
não vou apontar
nem falar de defeito
fico até meio sem jeito
de dizer e me espelhar
e igual a você também ando
meio que em desequilíbrio
falta o lance - trem e trilho-
mão e luva e vôo em bando
feito você eu também não
situo nem tenho a mesma cara
agora tô numas de solidão
e só você desperta minha tara
ando naquelas sem graça
de não entender nem sacar
também não vou me adaptar
e perdi o pique da pirraça
de afrontar bagaça
sentar no meio fio
tomar uma branca no rio
e encarar tudo na raça.
Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/estrelas.mid
Das ausências
Maria Quitéria
Tua palavra bailava nas minhas manhãs
- era a poesia que eu decifrava -
que me acalentava no delírio das febres terçãs
como se fossem mandamentos e alimentava
meu corpo e meu dia, por todo o dia,
por todo o tempo, por todo meu momento
meu carnaval fora de época, minha folia
minha festa, minhas águas em movimento
tua alegria escrita em forma de desejo
era a manteiga deslizando no meu pão
a saliva escorregando, toda macia, no beijo
a luva que cabia na palma e dedos da minha mão
tua palavra brilhava como a estrela Dalva
- que ainda ficava piscando pelo dia -
depois de abraçar a noite de lua mais alva
na minha letra torta e de imprecisa poesia
teu verso era a lona do meu circo, a conta do terço
o feitiço que em meu caldeirão eu misturava
era como fosse meu primeiro amor e não esqueço
como o primeiro gozo que, sem saber, eu já gozava...
"...quando eu não estiver por perto,
canta aquela música que a gente ria,
- é tudo o que eu cantaria -
e quando eu for embora, você cantará..."
Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/
