AVISO: CONTEÚDO ADULTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Na medida do impossível


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/simone_cordilheira.wav

Na medida do impossível
Maria Quitéria

Dou de mim o insondável
o mapa do infindável
a que você desvende o mistério

arrisco um adultério
na lua que me ronda prateada
me faço inteira alada
na pergunta depois das respostas
antes de te virar as costas

ofereço as colunas do meu templo de alabastro
dou o que assino e meu lastro
na cadência que ao homem fere;

o desassossego que destempere
o dilema do certo e o errado
- o meio e o lado -
entre a metade e um inteiro
do teu ser posseiro

só guardo uma última carta na manga;
o poema a ser decifrado na pele
aquele:
- uma navalha para a canga.



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domingo, 3 de agosto de 2008

Senhas


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/senhas.mid

"Eu gosto dos que têm fome

Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem"
(Adriana Calcanhoto)


Senhas
Maria Quitéria

Deito o salto pelo teu corpo liso
mordo, arrepio, piso
faço um estrago na cama
rolo com o gosto da lama
eu tenho o prazer das mundanas
das mulheres sem senso
faço as coisas que eu penso
e gargalho o riso das soberanas
que mandam e são obedecidas
que se fartam e são atrevidas
que se deitam e se deleitam
saboreiam e enfeitam
a cama de tesão
o chão
o mato
no ato
eu deito ao gosto da fome
faço estrago
lambo o bago
mato o que me come
vou onde a força me leva
onde o desejo me entrega
eu finco o salto e me atrevo
faço o que eu quero e o que eu devo
te deixo maluco, provoco
porque o gostoso, amor, é o troco...


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Negro


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/black.wav

Negro
Maria Quitéria

Quero a dor, a força bruta da tua mão,
o peso dos teus músculos encostando,
a parede vencendo a força da razão,
- teu sexo brilhante, apontando -
quero sentir o impacto dessa luta,
as costas arranhadas, arriar feito puta,
sucumbir até não restar mais voz;
gemer no prazer do engate, dos nós,
sentir o lanho da mão áspera e branca
misturada no branco da minha anca,
o vergão vermelho da mão espalmada,
a vermelha pingando de prazer, esfolada.
Eu te quero, Negro, na dor que antecede
a volúpia em luxúria no farto do ato
onde a pele estica, rasga, cede
ao falo mais duro de veias onde me mato
e vivo e reviro os olhos no grito deliciado,
- no palavrão de mundana de gueto -
em delírio do gozo escorrido e viciado,
ao prazer espelhado do meu branco no teu preto.

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sábado, 2 de agosto de 2008

Uma madrugada de tempo parado


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/os_amantes.mid

Uma madrugada de tempo parado
Maria Quitéria

Vou te encontrar na hora da madrugada
- quando o sol estiver tímido e sem jeito -
te aconchegar no calor do meu peito,
te trazer pra minha cama e não dizer nada.
Lanhar tua carne com a unha pontuda,
saboreando os arrepios das tuas costas,
sentindo o fremir brilhoso da tua taluda
no deslizar dos dedos, como tu gostas.
Me curvar para a língua passear macia
na extensão dos teus nervos mais duros,
saborear teu gosto exalado no cheiro que vicia,
escanhoar, no dente, teus pêlos e teus furos.
Carinhar teu mamilo com a ponta do dente,
prometer, ouvir teu gemido até a exaustão,
bebendo teu leite da fonte mais quente,
jorrado nos meus lábios fibrilados de tesão.
Vou te amar montada até o sol se pôr a pino,
exaurir tua vontade de mim dentro da entranha
e ir-me, num novo raiar de dia, sem destino,
sem nome, sem endereço, como a última estranha...


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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

'My eyes are of the tiger'


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/eye_of_the_tiger_.mid

'My eyes are of the tiger'
Maria Quitéria


"É o olho de tigre

A excitação de lutar
Crescendo no combate de um rival"
(Frank Sullivan/James Peterik)


Você diz que não tenho freio
e que sou a tua favorita
a danada, a mais bonita
a que te puxa o arreio
você quer o embate na cama
diz que eu sou a tal
que o meu fogo te inflama
e que eu sou toda bicho, animal
que meus olhos te transtornam
meu corpo te enlouquece
que sou das que entornam
o gozo que no teu pau estremece
você quer o sexo alucinado
quer me emaranhar na tua rede
fazer a onça sangrar no miado
e, mais louca, subir pelas paredes
você quer umas coisas assim
e me instiga, me provoca
fica num embate sem fim
a que eu saia da minha toca
tu é um matuto, lutador danado
- feroz de beira de esquina -
querendo o balanço adoidado
na rinha onde meu rabo empina...


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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Quer me namorar?



Quer me namorar?
Maria Quitéria

Se você me quiser, eu te prometo
vou te dar aquele trato gostoso
fazer serviço do bom e bem completo
com cheirinho de colo em abraço carinhoso
também te banho com umas flores
que eu planto no fundo do quintal lá de casa
besunto tua pele com óleo de mil amores
e cuido bem direitinho das penas da tua asa
incenso tua pele com arruda e guiné pra proteger
e acendo umas velas de muita fé e desterro
afasto tudo o que te pode tanger
e as forças ruins, te juro, eu enterro
te canto umas cantigas que aprendi na roda
faço circo, conto piada e bebo uma
brinco do que você quiser e na hora da foda
te dou aquela chave de coxa, como nenhuma
também te acarinho com a língua macia
numas de bolir com teu desejo manhoso
deslizo, com ela, na maciez que acaricia
e depois faço sexo de braseiro, escandaloso
te deixo descansar até que se refaça
enquanto te carinho com lábios de cotovia
te deixo inteiro outra vez pra entornar a taça
das coxas abertas que te mostro com alegria

se você me quiser, vem que eu te recebo
te abro a casa e mostro o sol do meu quarto
te deito no meu lençol de lua e ainda te bebo
depois que me tiver no inverso do parto...

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Eu?


Eu?
Maria Quitéria

Em meio a tantas musas,
as belas, as sorridentes,
as que se intitulam lindas;
sou só a Pomba das encruzas
a ranger os dentes
quando o gozo finda.
Em meio as puritanas,
as que se explicam,
as que são sacanas,
as que cobram e se excitam;
sou só uma fodedeira,
puta de zona,
dona da cona,
e me intitulo: rameira.
Em meio as diplomadas,
as que são professoras,
as de casa e de vassouras,
as pobres mal-amadas;
sou só uma anarquista
que busca a conquista,
faz da cama o teatro
e gosta de ficar de quatro.
Em meio as moças boazinhas,
as que só conhecem as paredes,
as futriqueiras vizinhas,
as que dizem não dar pelas redes;
eu sou a pior das vagabas,
ralé, vulgar e sem freio,
dou gostoso, dou risada
e tenho um puta tesão no seio.
Em meio às favoritas,
as marias e as ritas,
as ferinas e as feras;
sou só uma boa mulher,
que fode quando quer
e que, às vezes, é sincera...

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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Delicioso...


Delicioso...
Maria Quitéria

... como morder uma fruta saborosa,
como tostar a pele numa dolente praia,
como ter essa pica assim esplendorosa,
mostrada em prazer em toda a sua raia

delicioso...
como o gosto do orgasmo na língua,
como o sêmen jorrado entre os seios,
como o prazer, que de forte, me míngua,
como abrir as coxas e os meios

delicioso...
como esse homem que me vem
com a força do tesão e inteiro duro,
fazendo com gosto e fazendo tão bem,
que a ele nem nego o apertado furo

delicioso...
com gosto de quero mais
orgulhoso,
tesudo demais...




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domingo, 20 de julho de 2008

Se eu tivesse um pau




Se eu tivesse um pau
Maria Quitéria

Ele estaria sempre pronto
seria um garanhão comedor
daqueles de coice, feito potro
um pau incansável e bandido
cheiroso, cabeçudo, atrevido
pau pra ser carregado no andor
Ia ser um pau bem aclamado
pau fodedor, pau bem safado
de melar e chamar no tento
pau de criar invento
de comer freira, santa e puta
pau encrenqueiro, de luta
pau de não vestir cueca
todo levado da breca
de suar a camisa do time
pau de Angola, bem firme
metaleiro e trincador
pau de encarar as esfolas
de meter até as bolas
pau de arregaçar frente e fundo
mas como nada é perfeito
eu tenho um par de peito
e umas coisinhas mais brandas
que aplacam a fome do mundo
e pela alma das propagandas
mesmo não tendo um assim
com minha coisinha sem graça
acabo ganhando, na raça
um monte desses pra mim...

[Ha ha, Freud com aquele papo de inveja...]



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Derretendo satélites


"Abro com as mãos, te deixo olhar

Te levo pra dentro devagar
Sempre venho aqui nesse lugar
Tomar xerez da tua boca
Provar o sal do mar, mostrar um verso
Provar um amor eterno
Onde a sua mão está agora
a minha você sabe bem
Quanto mais tempo demora
mais violento vem..."
(Paula Toller/Herbert Viana)

Derretendo satélites
Maria Quitéria

Eu te ensinei a brincadeira
dessa coisa de mato adentro
de dançar pra lua, dizer besteira
fazer do vento a roupa e o ungüento.
Te mostrei como voar sem asas,
como viajar pelas casas
da sofreguidão.
Tanto segredo. E o medo
da mão exposta e melada
dei a chave do peito arfando, o dedo
e o gosto que isso tudo dava.
Os sonhos noturnos e os lençóis molhados,
os sóis nos olhos e o gosto de mastigar a terra
- bailarina de pisar nos semens gozados -
armando cilada onde o delírio encerra.
Cortei a carne e mostrei o sangue
do pacto, da promessa,
te levei pra pescar no mangue
no entra e sai do gozo. Gostoso à beça.
Deixei a janela aberta
pra você ver a cortina balançando,
dei uma incerta
pra você ficar louco me caçando,
adoecendo.
Te ensinei a roubar chicote e a bater
e como se pode foder
sem sair do lugar
sem mexer
metendo
bebendo emoção de tragar.
Sei não, te mostrei que podia ser devagar,
ninguém tem pressa. Não acaba.
E tem todo um gingado pra balançar (depois)
mas acho que você não entendeu nada,
o fácil do um em nós dois...


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terça-feira, 15 de julho de 2008

Meu nome tatuado


Meu nome tatuado
Maria Quitéria

Tem coisas doidas. Presentes de um amante ao outro, mas ver meu nome tatuado no falo dele me fez tão mais tesuda, tão mais gostosa; a dona dele. Ele me deu o prazer de ser sua dona. A mulher que ele deseja e assume, até no membro. Eu, que sempre fui rainha com escravos, com a ponta do salto em muita coxa, permiti que esse homem, o que escreveu meu nome no seu falo, fosse meu dono e Senhor nessa noite. Me permiti ser escrava em coleira. Me subjuguei e aceitei. Obedeci.
Homem de encantos muitos, de força tamanha e uma devassidão sem limites. Homem dos desejos mais loucos, das invenções de cama e mesa, das surpresas e da gentileza, do prazer partilhado, mas sempre ele, o homem, o que acaricia e não bate.

Fui a escrava dele por uma noite. Deitei de bruços, aceitei seu peso, seu adentrar em meu corpo sem poder me mexer e obedeci ao seu comando: - urra leoa! E eu urrei. Urrei de prazer e gozo. Urrei de tesão e desejo. Urrei e nem me mexi.
Depois me virou e pincelou a fenda com o escorrido do sêmen vendo meus olhos escurecerem pelo prazer do gozo. Me dominou com a força das mãos e com o falo inteiro dentro de mim em movimentos rítmicos, mandou de novo: - uiva loba! E eu uivei. De prazer e loucura. De êxtase.

Tem coisas doidas nessa vida. Mas ver meu nome no falo dele, me fez jogar os saltos pela janela. Rainha? Quem se importa. Escrava, sim, com muito prazer.

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sem piedade




Sem piedade
Maria Quitéria

Era a tua chama a queimar camas e gretas
e era só você, um único, você, você e tantas
apenas um homem a incendiar seios e bucetas
a distribuir calor oferecendo faca e mantas
a sangrar os peitos com flechas de Sebastião
a brincar, covardemente, de tesão com uma nota só
fechando loas de sexo de uma para um montão
com a palavra roubada por um homem sem dó
e então ela chegou, leoa, e te derrubou
ela veio e te mostrou a dor do trisco da navalha
fincou no teu peito a adaga da tua mentira e te matou
sangrando tua carne com o ciúme que talha
e, sem ter a mesma piedade das santas
trançou a teia mortal com coxas e pêlos
fiando, na aranha, umas outras mantas
e se fez viúva negra do teu amor e teus novelos.

Veio ela e te caçou pelas matas e foi Florbela
se fez outra e te bebeu o sangue e se lambeu
te deu o seio e a nudez da loba mais bela
foi o instrumento que você dedilhou e fodeu
depois se foi, com a magia que tinha nos olhos
levou o cheiro das rosas da tua cama e os molhos
que melavam a tua colcha dos gozos que rompeu
e te deixou mudo, num redemoinho, incrédulo,
sem o balanço das ancas da Pomba que ainda dança
na encruza e gargalha nos prateados de lua e pêndulo
bebendo teu sangue no doce cálice da vingança.

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domingo, 13 de julho de 2008

Adoro te imaginar mesmo sem ter te visto


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/coracao_na_boca.mid

Adoro te imaginar mesmo sem ter te visto
Maria Quitéria

Nas noites em quem me deito galopeira
- peã das cercanias de um agreste acalorado -
onde te sonho no bater do vento na soleira
e meu corpo sua ondas de um tesão desarvorado
nos frêmitos em que a perna até bambeia
e as costas se flexionam de encontro aos dedos
o sangue flui pelas entranhas e pulsa a veia
com teu nome escondido em meus segredos
adoro te imaginar mesmo sem ter te visto
sem ter na narina o teu cheiro, que adivinho,
desnudo da roupa e na fantasia com que te visto
derramando sêmen e um pouco de vinho
entre as minhas carnes que se abrem sem trinco
no meu céu de zinco furado a passar estrelas
o pêlo marcado na vermelha, formando um vinco,
e teu guloso olhar nas coxas onde atrelas
tua imaginação cavalgando junto à minha
fechando em loas o tesão mais louco dessa vida
o corpo esperando como quem aninha
na pele arrepiada dessa paixão atrevida
que balança as cortinas da fantasia e sente
na carne, o lanho e a força do impacto
dos corpos lutando a batalha do amor tão rente
e no gozo que partilhamos como um pacto.

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Dentro da minha poesia...


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/carne_e_osso.mid

"... E saiba quem agride a minha lira

Quanto mais ferida, mais diz o que sente
Ainda vou ouvir você dizer pra mim, eu amo sim
Sou carne, sou osso, sou gente."
(Taiguara)


Dentro da minha poesia...
Maria Quitéria

... mora uma louca que sai pela madrugada
buscando o prazer da carne e do osso,
uma insana que tem a alma escancarada
e se atira rindo e de cabeça dentro do poço;
ela vai ao alcance de mãos que rasgam,
de corpos que pulsam com o sangue da veia
levando desejos nas liras que tragam
e uns galopares das éguas sem peia;
dentro da minha poesia tem um ser que levita
alcançando céus e estrelas onde integro
tantas rimas eternas, benditas, na voz da maldita,
da dançarina da lua, em seu manto negro
que gargalha no eco do cosmo e abençoa
os poetas desnudos de vergonha e medo,
faz coro com os anjos e deita na harpa sua loa,
ao novo, ao que não engana em segredo;
dentro da minha poesia eu saio vestida de nudez,
mostro quem sou e sorrio da cara deles
que avermelham e escondem a hipócrita tez,
fechados em suas paredes tão reles;
dentro da minha poesia eu te chamo ao duelo
te inflamo e te faço entender que o mundo
não é um cabide carregado de roupa numa modelo,
é carne, faca, fio de navalha, pão, buraco fundo...

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

De boca


De boca
Maria Quitéria

É com gosto que eu lambo
mordo
passo a língua
é com gosto que eu descambo
rebordo
deixo à míngua

é assim com a luxúria
que me entrego toda noite
entre as bordas no açoite
do teu falo todo em fúria

é com gosto que eu chupo
que engulo
e satisfaço
é com a boca que ocupo
estimulo
até o bagaço

é desse jeito, com prazer,
que te oferto uma gulosa
inteira pr'eu beber
numa punheta de boca
deslizando na piroca
... bem gostosa...


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Sou eu...


Sou eu...
Maria Quitéria


... que entro pelas tuas madrugadas
como os sonhos que se colorem
nos prazeres das galopadas
nos semens que escorrem
e vou deitando entre teu corpo pagão
me enfiando nos teus lençóis
levantando teu pau de tesão
te fazendo gozar luas e sóis
é na madrugada que eu te chego
que te quero devasso e garanhão
que te cubro com meu pelego
de pêlos, sexo, e sofreguidão
onde me sente e deseja como louco
onde comete os pecados mais vis
sou a bandida que te rouba um pouco
o gozo que por mim esporra, todo feliz...

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Todo o sentimento


Ouça:

Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu..."
(Chico Buarque / C. Bastos)


Todo o sentimento
Maria Quitéria

Em nós fomenta a química da pele e da loa,
tua poesia verte aos segredos na minha vida,
dança pelas minhas coxas, me faz toda boa,
entre as pernas, nas entranhas, mais perdida.

Tua voz fala da canção que eles cantam ao vento,
porque é minha, como é minha a tua inspiração,
é meu o teu deleite, teu verso, secreto pavimento;
minha parede, meu teto, minha casa e meu chão.

Teu sentimento é o mais puro e tanto me oferta,
que me dou e me dôo aos teus loucos rompantes,
como quem já te amou pela eternidade aberta;

no antes, no hoje e no amanhã que é tão nosso,
que partilhamos e dividimos, sendo mil amantes,
no teu ser posseiro de mim, por mim que te posso.

Simultâneo:

É por você, só por você


É por você, só por você
Maria Quitéria

Agora eu quero te falar do desejo que eu sinto
e da vontade de te ter nos meus braços
do delírio, o tesão, a vontade que eu não minto
de me deitar em lençóis macios e tão lassos
dos sonhos noturnos de poesia e sexo
os dedos te buscando entre as minhas dobras
meu gozo derramado, urrado, todo sem nexo,
a língua lambendo o melado das sobras;
hoje quero te falar o quanto eu te desejo
o quanto eu te quero entre as minhas pernas
entrando e saindo, viril, tão mais duro
querendo tuas palavras versadas e mais ternas,
sussurradas no meu ouvido e no meu escuro;
o quanto eu daria se te encontrasse em minha cama
se deitasse tua poesia no meu corpo aquecido
se rolasse comigo como eu fosse a mulher dama
sem preço, sem destino, só vivendo o teu bandido
a me dizer coisas profanas e a me bater na cara
me esfregando o teu corpo já melado e gosmento
satisfazendo em nós essa loucura e essa tara
e que me curasse desse amor com seu ungüento;
hoje eu quero te dizer o tanto que já fiz de orgia
o quanto deitei e rolei chamando o teu nome
queria que soubesse desse desejo-amor-volúpia-folia
que sinto por você e que tanto me consome...


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terça-feira, 8 de julho de 2008

( y )


( y )
Maria Quitéria

Eu trago o sol nas entranhas
um calor devasso de volúpia
mexo devagar, nas manhas,
com os tentáculos de uma rúpia
a te conduzir no quente das ondas
com algas que enroscam no teu falo
pulsando e apertando o gargalo
que desliza pelas minhas redondas;
fartas coxas ao teu duro pincelar
tela viva ao movimento da modelo
que oferta cores em seu pêlo
e no vermelho que vive de inchar.

Eu trago o sol nas entranhas
e aqueço de luxúria a tua carne
nas gotas corridas em que lanhas
com a língua áspera em desencarne
fomentando gozos e melados
sóis amargos entre a perna aberta
dançando luas nas ancas em lados
queimando de ardor a tua seta...


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O poeta que me habita


O poeta que me habita
Maria Quitéria

O poeta que me habita é gato de telhado;
pula cercas, muros, chuta latas, tem miado
faz orgias nas estrelas, chora mentiroso.
Ele é vagabundo, risonho, todo manhoso,
tem amores e paixões como quem canta;
dedilha notas no violão e tenta e espanta:
soninhos leves, tesões breves e solidões.
O poeta que me habita mora num palco;
é glorioso e vai a luta, baixa a saia, vira puta,
é um mutante de mil faces, não tem recalco,
faz da vida uma noite sonhada e sonha a vida
como um andarilho, maltrapilho, rico de filho,
como um rei, não tem lei, nem aceita mando.
O poeta que me habita desacata e enfrenta,
faz loas, cantigas, sonetos e é tão dissimulado,
que nas mil caras de palhaço que apresenta
tem sempre um risinho mentiroso e debochado
como os que não têm arreio, freio ou comando....

Sampa, 08.07.2008 14:00hs

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