AVISO: CONTEÚDO ADULTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Todo o sentimento


Ouça:

Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu..."
(Chico Buarque / C. Bastos)


Todo o sentimento
Maria Quitéria

Em nós fomenta a química da pele e da loa,
tua poesia verte aos segredos na minha vida,
dança pelas minhas coxas, me faz toda boa,
entre as pernas, nas entranhas, mais perdida.

Tua voz fala da canção que eles cantam ao vento,
porque é minha, como é minha a tua inspiração,
é meu o teu deleite, teu verso, secreto pavimento;
minha parede, meu teto, minha casa e meu chão.

Teu sentimento é o mais puro e tanto me oferta,
que me dou e me dôo aos teus loucos rompantes,
como quem já te amou pela eternidade aberta;

no antes, no hoje e no amanhã que é tão nosso,
que partilhamos e dividimos, sendo mil amantes,
no teu ser posseiro de mim, por mim que te posso.

Simultâneo:

É por você, só por você


É por você, só por você
Maria Quitéria

Agora eu quero te falar do desejo que eu sinto
e da vontade de te ter nos meus braços
do delírio, o tesão, a vontade que eu não minto
de me deitar em lençóis macios e tão lassos
dos sonhos noturnos de poesia e sexo
os dedos te buscando entre as minhas dobras
meu gozo derramado, urrado, todo sem nexo,
a língua lambendo o melado das sobras;
hoje quero te falar o quanto eu te desejo
o quanto eu te quero entre as minhas pernas
entrando e saindo, viril, tão mais duro
querendo tuas palavras versadas e mais ternas,
sussurradas no meu ouvido e no meu escuro;
o quanto eu daria se te encontrasse em minha cama
se deitasse tua poesia no meu corpo aquecido
se rolasse comigo como eu fosse a mulher dama
sem preço, sem destino, só vivendo o teu bandido
a me dizer coisas profanas e a me bater na cara
me esfregando o teu corpo já melado e gosmento
satisfazendo em nós essa loucura e essa tara
e que me curasse desse amor com seu ungüento;
hoje eu quero te dizer o tanto que já fiz de orgia
o quanto deitei e rolei chamando o teu nome
queria que soubesse desse desejo-amor-volúpia-folia
que sinto por você e que tanto me consome...


Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://versosprofanos.blogspot.com/

terça-feira, 8 de julho de 2008

( y )


( y )
Maria Quitéria

Eu trago o sol nas entranhas
um calor devasso de volúpia
mexo devagar, nas manhas,
com os tentáculos de uma rúpia
a te conduzir no quente das ondas
com algas que enroscam no teu falo
pulsando e apertando o gargalo
que desliza pelas minhas redondas;
fartas coxas ao teu duro pincelar
tela viva ao movimento da modelo
que oferta cores em seu pêlo
e no vermelho que vive de inchar.

Eu trago o sol nas entranhas
e aqueço de luxúria a tua carne
nas gotas corridas em que lanhas
com a língua áspera em desencarne
fomentando gozos e melados
sóis amargos entre a perna aberta
dançando luas nas ancas em lados
queimando de ardor a tua seta...


Simultâneo:
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://versosprofanos.blogspot.com/

O poeta que me habita


O poeta que me habita
Maria Quitéria

O poeta que me habita é gato de telhado;
pula cercas, muros, chuta latas, tem miado
faz orgias nas estrelas, chora mentiroso.
Ele é vagabundo, risonho, todo manhoso,
tem amores e paixões como quem canta;
dedilha notas no violão e tenta e espanta:
soninhos leves, tesões breves e solidões.
O poeta que me habita mora num palco;
é glorioso e vai a luta, baixa a saia, vira puta,
é um mutante de mil faces, não tem recalco,
faz da vida uma noite sonhada e sonha a vida
como um andarilho, maltrapilho, rico de filho,
como um rei, não tem lei, nem aceita mando.
O poeta que me habita desacata e enfrenta,
faz loas, cantigas, sonetos e é tão dissimulado,
que nas mil caras de palhaço que apresenta
tem sempre um risinho mentiroso e debochado
como os que não têm arreio, freio ou comando....

Sampa, 08.07.2008 14:00hs

Simultâneo:
Poesia on line
http://versosprofanos.blogspot.com/
http://versosprofanos.blogspot.com/

domingo, 6 de julho de 2008

Pode ser


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/ver_nica_sabino___can__o_ii.mp3

"...Porque tu sabes que é de poesia

Minha vida secreta.
Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta..."
(Hilda Hilst)

Pode ser
Maria Quitéria

Talvez seja melhor que eu não o sinta
que não prove das delícias que me prometestes
que não me deite ao prazer, mesmo que já minta
que não sonho de novo o calor que tu me destes
talvez minhas coxas não necessitem
do impacto das tuas, tão pesadas e duras
que meus seios túrgidos não se excitem
com a língua áspera nos bicos em fissuras
que meu ventre não aplaine com teu peso
nem minhas entranhas recebam o leite
do homem que me sonha pelas noites mais teso
e que me acaricia em versos ao seu deleite
talvez seja melhor que meu perfume
continue secreto ao olfato de tuas noites
que não te inebrie com o focar do lume
dos meus olhos que ferem em verdes açoites
talvez, sim, talvez seja melhor que eu não saiba
do deslizar do falo entre as minhas pernas
que eu não goze no gemido que talvez nem caiba
entre lençóis e travesseiros de painas ternas
que eu não atine que tu não tenhas percebido
que sou o poema escrito leve, sem muito alarde
no vai e vai da tua mão jorrando tanta libido
pelo que por mim sentes e que tanto te arde...

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

Dionísio


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria2/without_you.mid

Dionísio
Maria Quitéria

"Eu amo Aquele que caminha
Antes do meu passo
É Deus e resiste.
Eu amo a minha morada
A Terra triste.
É sofrida e finita
E sobrevive.
Eu amo o Homem-luz
que há em mim.
É poeira e paixão
E acredita.
Amo-te, meu ódio-amor
Animal-Vida.
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
(Hilda Hilst)

Te amo, Dionísio, nos versos pautados
na gama das cores de um arco-íris
nas minhas coxas e ventre, tocados
e no verde mais profundo das minhas íris
Te sonho, Dionísio, entre os mil cânticos
dos livros da memória em que me cobrias
e na saudade dos ardores suando pânicos
por tantas palavras loucas e sombrias
Te vivo, Dionísio, na cadência da tua letra
no be-a-bá de versos riscados na pele
no entre mais vermelho dos pêlos da greta
e no gemido miado que o tesão me impele
Te assombro, Dionísio, nas noites de lua
quando esparjo cheiro de rosas pela tua cama
e a mulher que está ao teu lado, tão nua
não sabe dos teus delírios de devassidão e lama
Te conheço, Dionísio, desde outras vidas
onde tu fostes o único a encontrar-me pelo vão
antes dessas todas que se deitam, perdidas
buscando o que não sabem, nem jamais terão.

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

Entre a palavra e a palavra



Entre a palavra e a palavra
Maria Quitéria

Nem toda putaria
é orgia
nem todo carnaval
é bacanal
nem todo mascarado
é tarado
nem todo desvalido
é bandido
nem todo plexo
tem nexo
nem toda foda
denoda
nem todo sexo
é convexo
nem toda lama
derrama
nem toda faísca
trisca
nem toda cama
é chama
nem toda chama
inflama
nem todo vulcão
é tesão
nem toda cavalgada
é lascada
nem toda puta
é astuta
nem toda mulher
dá colher
nem todo macho
quer racho
nem toda greta
quer treta
nem todo pau
é normal
nem todo buraco
quer taco
mas quando rola
é rola
quando é lance
tem chance
quando acontece
apetece
quando se tem fome
se come
e... todo gozo
é gostoso

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

sexta-feira, 4 de julho de 2008

De águas e amantes


De águas e amantes
Maria Quitéria

Mergulhe em mim.
Sou águas fundas e caudalosas
águas sinuosas
que vertem do meu útero

Nade em mim.
Espalhe minhas águas em respingos
pesque como os grandes flamingos
na minha seiva que alimenta

Submirja em mim.
Vasculhe o fundo, o leito das águas
retire as pedras de antigas mágoas
vincadas em cicatrizes de cio

Entregue-se a mim.
Deixe o corpo solto, alivie o peso
derrame águas nas águas, mais teso
e a vida se tornará semente

Naufrague em mim.
Solte o último ar e grite sem medo
minhas águas guardam segredo
ao se misturarem às torrentes


http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/415513

Publicado em 16.03.2007


Pelo prazer de viver essa rotina


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/angel.mid

A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O inicio é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto
A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
A rotina da garganta é o rock
A rotina da mão é o toque
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio
A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem a sua beleza.
(Daniel Mattos e Paulo Leite)

Poesia on line de 03.07.2008 - Não publicado no Fórum
Mote: Toda rotina tem sua beleza


Pelo prazer de viver essa rotina
Maria Quitéria

Acordar leve, lépida, e correr ainda pra te ver
- em poesia-lembrança na xícara da manhã -
o gosto de café no palato da língua por te ler,
o leite quente da letra suando uma febre terçã.

Passar o dia, e todo o dia, em êxtase de espera
trincando rimas com versos e cabelos ao vento,
a velocidade do pensamento em doce quimera,
no banho ensaboado com o verso que tento.

O asfalto das ruas passando como estrelas trilhadas
na noite do eterno sonho vívido e tatuado na mente
em lençóis acetinados de poemas e coxas dedilhadas;

dia-a-dia, meses a fio desejando o mesmo homem,
- bebendo da seiva que todo o corpo ainda sente -
revivendo as mesmas linhas que me consomem...

Simultâneo:
Poesia on line
http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/


É bela a propaganda, mas deveria ter sido
mencionado pelos autores do comercial
que é um "espelho" da música
Caminhos de Raul Seixas

Caminhos
Raul Seixas/Paulo Coelho


Você me pergunta
Aonde eu quero chegar
Se há tantos caminhos na vida
E pouca esperança no ar
E até a gaivota que voa
Já tem seu caminho no ar
O caminho do fogo é a água
O caminho do barco é o porto
O do sangue é o chicote
O caminho do reto é o torto
O caminho do bruxo é a nuvem
O da nuvem é o espaço
O da luz é o túnel
O caminho da fera é o laço
O caminho da mão é o punhal
O do santo é o deserto
O do carro é o sinal
O do errado é o certo
O caminho do verde é o cinzento
O do amor é o destino
O do cesto é o cento
O caminho do velho é o menino
O da água é a sede
O caminho do frio é o inverno
O do peixe é a rede
O do vil é o inferno
O caminho do risco é o sucesso
O do acaso é a sorte
O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte!
"E você ainda me pergunta:
aonde é que eu quero chegar,
se há tantos caminhos na vida
e pouquíssima esperança no ar!
E até a gaivota que voa
já tem seu caminho no ar!"
O caminho do risco é o sucesso
O acaso é a sorte
O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sou uma santa



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/pagu.wav

Sou uma santa
Maria Quitéria

Sou pudica quando nua
despida do manto
abro as carnes na rua
e respeito muito santo
do tipo que não precisa provar
quem é e nem por onde anda
minha fé é de danar
só faço o que minha religião manda
sou uma moça caseira
que se farta de comida
rezo o terço bem faceira
e ajoelho, atrevida
sou tão dócil como uma cobra
criada na mão, feito um pau
há em mim o que soçobra
um doce veneno do mal
mas me penitencio na cama
fico de joelhos e aceito
o chicote da língua em chama
do homem que está no meu leito
sou tão boa quanto as leoas
de pêlo lustroso e macio
tenho as coxas e ancas boas
como as éguas de grande cio
sou assim, tão perfeitinha
tão carola, tão maneira
que no meio da coxa minha
me chupa até mulher rameira
sou delicada como uma loba
que sobe o morro uivando
toda carente, toda boba
chamando os lobos ao meu bando
sou melada como um favo
deito besuntada de rosário na mão
minha coxa tem chave de travo
enquanto apregôo religião...

Simultâneo:

Uma não história de amor




Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/historia_de_amor2.wav

" Por querer você demais
passei do meu prazer
eu queria muito mais
do que podia ter
pra viver um sonho
pra ficar à sós
pra correr por todo lado
e só pensar em nós
pra dizer 'te amo'
sem ter que falar..."
(Daniel Ferro & Cláudio Rebello)

Uma não história de amor
Maria Quitéria


Você veio com o gosto do andantes
trouxe as palavras mais indecentes
me pôs na tua boca, meteu os dentes
me deu a loa profana dos amantes
você me fez ir longe, me enredou
me colocou na tua teia, na tua trama
disse até que me amou
e que queria me levar pra tua cama
você fez sexo na letra, na poesia
me fez enlouquecer de desejo
me trouxe o verso da orgia
me fez ficar na seca do teu beijo
você me levou por caminhos tantos
e depois me disse de solidão
me fez náufraga em meus prantos
e culpada por tanto tesão
me deixou esquecida numa ilha de dor
apagou minhas pegadas na areia
me negou paixão e amor
calou, envenenando a minha veia
você me enganou e me traiu
me apunhalou com a palavra afiada
conjugou verbos de partida e mentiu
me fazendo ser mais uma na tua estrada...

Simultâneo:

Dentre todas...


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/dona.mid


Dentre todas...
Maria Quitéria

Dentre todas que te assanham
sou a que te faz mais duro
a gostosa arruaceira
que tem mel por todo furo
dentre todas que se entregam
sou a que te dá tesão
a bela quenga mais rameira
que tira leite da tua mão
dentre todas que te atiçam
sou o nó atado em laço
com minha anca mais faceira
e na aranha o pêlo em traço
dentre todas que barganham
sou a que te alucina
a vagaba mais arteira
que tem gosto de esquina
dentre todas que arreganham
sou a caça que enlouquece
que sussurra só besteira
e o teu pau levanta e cresce
dentre todas que te arranham
sou teu gosto de peleja
por minhas coxas em fogueira
sou a que tu mais festeja
dentre todas que te lanham
sou o bicho do teu gozo
a que traz a cachoeira
e que goza mais gostoso
dentre todas que te cercam
sou a que te deixa louco
carregado de ciumeira
por ter tanto e dar tão pouco
dentre todas que alucinam
sou a fêmea mais lustrosa
a bonita feiticeira
por quem tu punheta e goza...


Simultâneo:

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Arisca


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria2/sob_medida.mid


Arisca
Maria Quitéria

Ele diz que eu sou arisca
que tem que ter cuidado
- mas que fica tarado -
e o seu falo todo trisca
ele vem no meio da noite
traz o brilho dos devassos
lanha até me sobrar bagaços
e ainda manda no açoite
ele tem esse jeito maduro
de quem sabe o gosto do gozo
ele faz tão gostoso
e eu viro só carne e furo
deixo de ser quem sou
sigo seu cheiro de macho
abro a loa e o racho
e pra ele eu me dou
ele manda e eu obedeço
é esse o seu preço
pra oferecer uma boa comida
e eu me descabelo, bandida
arranho suas costas
ele ri e diz: tu gostas
e eu, gata brava de orgia
a madame pelo dia
na noite me faço perdida
e mio leve na sua mão
subjugada ao seu tesão
mulher que nunca fui na vida...

Simultâneo:

domingo, 29 de junho de 2008

Sou a tua puta preferida

Ouça:

Em milhões de anos luz de solidão
Minhas noites novamente são azuis
Minhas tardes são douradas de verão
Você é o meu paraíso
A pessoa que eu tanto preciso
Com loucura e paixão
Eu rezo com o teu olhar
Eu gozo com a tua voz
Esse amor arrebenta com tudo
Parece até que o mundo não sobrevive sem nós
Nunca houve uma mulher como você

Entre tantas que já tive em minhas mãos
Eu preciso acreditar que sou feliz
Mas persigo os seus mistérios como um cão
E tudo parece tão claro
E tudo parece perfeito
Mas quando acordo e me vejo
O espelho diz que não
Quem sonha contigo molha a cama
Quem te ama dorme à sombra de um vulcão..."
(Fagner & Fausto Nilo)


Sou a tua puta preferida
Maria Quitéria

Eu sou esse bicho que você sabia que eu era
sou canção, letra, toada e buceta
sou risco, perigo, mansão e tapera
sou teu frisson, delírio de lama e sarjeta
sou a loa que te entrou pela noite adentro
a outra, a marginal, bandida de doer
a que te deu chão, rima e pavimento
e que botou o lance todo pra foder
leoa, loba, mulher de esquina, vagabunda
erótica, pornográfica, mansidão de zona
mulher à toa que balança a bunda
e abre a flor e dá o nome que tem: cona
sou a que não se faz, a que apenas é
a que você sonhou noites à fio e punhetou
a mesma que você misturou na sua falta de fé
mas que te entrou corpo adentro e que gozou
no verbo, na letra, na calçada, na poesia
a mulher que passa exalando o cio da cadela
que vive de gargalhar e de orgia
a que não dá a mínima mas te abre a janela
deixa a passagem, a porta destrancada
a que você tenta esquecer, insulta e luta
que no teu dentro vive nua e escancarada
a mulher que é teu espelho... a tua puta.

Simultâneo:

sexta-feira, 27 de junho de 2008

De tesões e palavras


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/paixaolos.mid


De tesões e palavras
Maria Quitéria


Um frio mentiroso me escorrega

me deixando a pele morna e crua
e esse teu sopro me arrepia
a fresta incandescente e nua
da carne vermelha que já não se nega
ao desejo do tempero da orgia

dessa tua prosa de asfalto viciada
em que se busca a alegria do farol
o escuro do horizonte entre as coxas
no tesão dos pêlos em palavras frouxas
da minha fogueira de chama salgada
com teu melado escorrido de sol
desse inverno longo e sem cavalgada
onde a inocência dos lençóis é o pecado
do liso esfregado nas dunas macias
tendo o teu verso duro e teso já fincado
no vai e vem em que me vicias...
Nos versos feitos de açúcar e sal
num misto de mel e muito cio
passado entre as coxas de sisal
da palavra sinuosa feito um rio
palavra que baila na chama do fogo
nos cânticos entoados e profanos
com a sílaba besuntada que refogo
e sirvo nos pratos mais mundanos
versos mexidos com colher de alma
no corpo em caldeira que me consome
palavra que busca a guerra e a calma
alimento farto ao teu coração de homem

Que a palavra seja pedra
pontuda
que rasgue, tire sangue
seja a que não medra
venha taluda
nos deixe exangue
que foda como sexo
que goze como pica
que tenha ou não nexo
mas que seja a que fica
que nos traga aquele tremor
aquela coisa que tivemos
que talvez tenha nome de amor
ou seja o que nem sabemos
mas que ela nos abrace
nos faça ir mais longe e além
que ainda nos enlace
que só nos faça bem
que nos enrede em sua trama
que acenda a fogueira do tesão
que deite e nos leve pra cama
que se faça chuva e vulcão
e que ainda e depois de tudo
aninhe meu corpo no teu
minha greta e teu taludo
eu tua e você meu


Que seja como o vento
levantando a saia
mostrando o firmamento
e que ele nos caia
por sobre
dentro
que monte
esfole
que derrame água
alague
que ela venha no delírio
no filho
plantado no ventre
que seja entre
as coxas luzidias
que ela grite
escorra
que eu morra
e arrebite
que a palavra venha melada
gosmenta
com cheiro de menta
na língua safada
que seja vagabunda
palavra de zona
de risco
um trisco
deslizante na minha cona.

Simultâneo:

Vem que eu sou demais...


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/rrdemais.mid

Vem que eu sou demais...
Maria Quitéria

Enquanto me vem na morada dos deuses
lanhe e me dê na língua o gosto do inferno
passeando teu pau duro, sem reveses,
trazendo teu calor em meio ao meu inverno
e eu me ajoelharei à tua vontade, senhor
querendo essa trepada de sangrar
mexendo com gosto, rebolando sem dor,
no teu entra e sai até rasgar
rirei o riso profano das rameiras
e arrebitarei pra sentir o gostoso mais duro
gemendo e sussurrando todas as besteiras
contraindo mais o já apertado furo

vem e derruba, põe abaixo o templo pagão
do meu corpo aberto e teso
melado de gozo e de tesão
engatado no teu pau e todo preso
minha anca será teu altar a erigir o mastro
com a glória dos anjos cantadores
que deslizam nas minhas coxas de alabastro
e tocam as arpas dos ardores
onde tua oração se fará mais presente
no redondo da minha bunda oferecida
esperando tua reza, funda ou rente,
e o deslizar matreiro da tua arremetida...


Simultâneo:

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Deus pagão



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/betania_meu_amor.mid

Deus pagão
Maria Quitéria


Ele faz da orgia uma festa no Olimpo
Baco, meu Baco, bebendo de mim
como um fogo que corre pelo chão limpo
como os desejos da carne que não têm fim
a concha aberta de borda vermelha é taça
à sua boca de língua afoita e tão lisa
sentindo seu entranhar duro, na raça
na festa dos deuses em que Baco pisa
nas uvas e as bebe em profana arruaça
socando-as com seu pilão devasso e teso
afunda-se mais dentro macerando meu sumo
e besunta toda minha coxa com seu peso
tirando meu melhor vinho para seu consumo
brinca com as estrelas do céu da minha greta
bebe na fonte e me coloca o vinho na boca
se embriagando de mim e me morde a teta
com sua luxúria devassa enquanto soca
tão profano quanto os deuses mais devassos
cospe no universo do meu corpo em derrama
sôfrego e bêbado me encoxa em seus laços
como um pagão sem destino e sua mulher dama
espalhando dentre os mortais o nosso gozo
que, embriagados, derramamos pela vida
no Monte onde os deuses gozam gostoso
ou numa cama de zona, perdida...

Simultâneo:

terça-feira, 24 de junho de 2008

Delírios humanos


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/simonesc.wav


Delírios humanos
Maria Quitéria

Saciar a fome de corpo, luxúria e sexo

no instinto animal que nos comanda
e ir com gosto buscando o que não tem nexo
o que ruge em nós e nos desanda
lassear o corpo nas lambidas nos pêlos
sentir o suor colando na língua
macho e fêmea trocando desvelos
na razão que não existe e então nos míngua
arrepiar a carne e dobrar a espinha
chamando o macho com o cheiro do cio
abrindo as carnes como colo que aninha
derramando águas como fosse um rio
e depois colar o corpo cansado das estocadas
dos urros e gemidos, dos gozos do acasalamento
e ficar lambendo leve, como salvos de emboscada,
o sal derramado que ainda nos serve de alimento
e mais tarde, aos beijos, tocar a face tão amada
focar os olhos e se enroscar nos panos
de uma cama que viveu a arena da selva armada
e que agora acolhe os corpos tão humanos...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Meu corpo, tua fruta


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria2/angela_ro_ro_amor_meu_grande_amor.mid


Meu corpo, tua fruta
Maria Quitéria

Manga suculenta escorrida na tua boca

em mel tão denso e perfumes de cio
ao teu bicho que me faz assim tão louca
e ao teu falo mais duro, de doce pavio
fruta melada escorrida no queixo
passada nas mãos e pelo corpo tão quente
da língua esfregada em meio ao seixo
e no entre pernas, onde me crava o dente
eu te alimento com o melado das coxas
do fruto besuntado de tanta saliva
da tua mordida cravando marcas roxas
na fruta do parto que te acolhe tão viva...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Eu te quero...


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/mq_mquiteria3/paixao.wav

"... A gente pode tatear a pedra

Sentir a maciez em suas arestas...
Ouvir na dissonância de mil frestas
A harmonia acre-doce do prazer
No cheiro do outro se cheirar
E aguçadamente se provar..."
(Ana Terra & Ângela Ro Ro)

Eu teu quero...
Maria Quitéria

... como a bruma a tomar conta
passeando pela minha pele
sentindo o peso da tua monta
e que com força me descabele
eu te quero inteiro profanando
a mulher que se ajoelha
que se abre sem peia e vai dando
fazendo o que lhe dá na telha
te quero desarvorado e louco
chegando duro e já pingando
quero teu adentrar e não é pouco
quero tua foda me domando
quero mais, quero tua cadência
o entra e sai e o gozo jorrado
quero a tua indecência
meu corpo inteiro melado
o engate, o nó, o cão chupando manga
o demônio fazendo o movimento
quero você arrancando minha tanga
no dente, como teu alimento
quero que mastigue a carne nua
que morda os meios e os seios
que me diga que sou tua
e me coloque os arreios
que não me deixe solta por nada
querendo outros ou sonhando
que encare essa vagaba
fodendo e mais gozo me dando
pode vir que a casa é tua
me abro, arregaço e te mostro
me dou na calçada e na rua
e de quatro, ao teu mando, me prostro
é desse jeito que eu te quero
e é bem assim que me domina
meta e, sem muito lero
me chame de mulher de esquina...

Simultâneo:

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Chupa toda


[Ouça:


Que me arasse e semeasse
Entre a carne e a semente
Que me tivesse, me colhesse
E me abocanhasse, metendo o dente
Que se fartasse da melhor fruta
E que a minha polpa escorresse
Pela tua boca de fome astuta
Pelo teu desejo que me entontece
Que me tivesse em meio à terra
No dentro do mato, no canavial
Que, de mim, mordesse a parte tenra
Chupando o fruto, como um animal...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Canto torto

Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/a_palo_seco.mid

Canto torto
Maria Quitéria


É tanto rio, tanto mar, montanha e neve
é tanto céu, tanta loa, trens e passagens
vôos de asas longas, pensamento breve
e o peito ansiando sons de outras paragens
querendo o ar cinza da cidade adormecida
o mendigo na calçada, o lanche no meio da rua
a via superlotada, a dor já tão conhecida
e a imensidão do brilho prata da lua nua
é um desejo de viver as mesmas coisas e tudo igual
desprezando areias, oásis e montes tão brancos
querendo a velha mata, o cálice, o ritual
o manto e a antiga mensagem do desejo nos flancos
ser de novo a cabrocha galopeira de um alazão
mesmo que só sonhado em verso e prosa e desatino
ter a terra como lençol, extravasar todo o tesão
com o gosto de chorar e rir do próprio destino...

domingo, 22 de junho de 2008

Necessidades


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/avessocpa.wav

Necessidades
Maria Quitéria


Você quer voltar depois de rasgar o verso,
quer o espetáculo, quer a letra,
precisa da sanha do reverso
e do ardor da minha greta
você jogou fora o meu poema,
de novo me negou como Pedro e calou
vingou a solidão matando o tema
fez e aconteceu e se mandou
mas ainda me quer e me sonha como sempre,
me deseja onde outras tantas falharam,
quer o que aqui é bem mais quente;
o que te assanha em desejos que te aram
a terra entre as coxas ao teu falo mais duro,
teu olho focado na mão que sobe e desce,
a letra jorrada de gozo impuro
o meu nome na tua boca, que não fenece,
você quer o sonho e as rosas que te dei,
quer a magia da ponta dos meus dedos,
quer o calor que nunca te neguei
- a palavra fechada em segredos -
você precisa do meu delírio como uma droga,
quer a corda amarrada e que eu não te solte,
quer a língua da minha letra que ainda te afoga,
o tesão que só eu te dou, então... volte...

http://recantodasletras.uol.com.br/

Essas coisas...


Ouça:

http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/negrali.wav

Essas coisas...
Maria Quitéria

E porque eu ainda te sonho
é que galopo, de novo,
o corcel negro da poesia

Tenho saudade, meu amor, saudade
palavra que aqui não tem plural
palavra que se junta e dói de verdade
palavra que se soma e me faz mal
Tenho medo, minha doçura, muito medo
de ter tido coragem de me atrever
de ter te contado tanto segredo
e você não ter entendido o meu querer
Tenho desejos, meu tesão, muitos desejos
eles me sobem nas noites de luar
e por mais que eu me negue aos ensejos
é por você que palpita e escorre o meu gozar
Tenho loucuras, meu homem, muitas loucuras
- espaços da mente que nem ouso -
pego as migalhas que me deu e elas são curas
para minha ave desarvorada e sem pouso
Tenho sonhos, meu senhor, muitos sonhos
delírios de tê-lo em pêlo e peso
frações de orgasmos medonhos
por imaginá-lo em minha boca mais teso...

Tenho essas coisas e deliro de montão
nessas vontades que me chegam e vão dando cria
na querência louca de dançar nua na tua mão
e que já não passam com banho de água fria...

http://recantodasletras.uol.com.br/

De solidão e rosas


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteriaespecial/am.aconteceu.wav


De solidão e rosas
Maria Quitéria

Toquei as pétalas das palavras com as mãos
e elas tocaram em mim com a suavidade
dos desejos cálidos, aplacados pelos vãos,
e pela eternidade da distância e da saudade
me inebriei do perfume da pétala rubra
sentindo a umidade do orvalho macio;
lambi o espinho a que o sangue me recubra
o lábio inchado pelo delírio do meu cio
e o tango começou a tocar no meu ouvido
dançando pelas minhas pernas mais afoito
como fossem os dedos de um bandido
passando pela minha carne antes do coito
e, tão sôfrega, gemi a última palavra em grito
pelo sal que me sangrava a língua e o meios
da rosa passada pelo corpo, como em rito,
transformada em falo entre os meus seios...

http://recantodasletras.uol.com.br/

sábado, 21 de junho de 2008

Amor fugaz


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/am.wav

Amor fugaz
Maria Quitéria


Você me aparece com essa cara
com esse teu olho tão escuro
e aguça demais a minha tara
em desejos de sacanagem atrás do muro
você tem essa cara de índio selvagem
de malandro pronto pra orgia
e eu sigo o teu olho numa viagem
como se fosse pra mim a tua folia
você tem essa coisa que me endoidece
me deixa lesa e toda sem sentido
e meu corpo inteiro fenece
querendo o teu peso bandido
você vem todo animal
um predador de fêmeas e entoca
como se fosse natural
beber o sal da minha boca
e fazer correr um melado solitário
que lambo entre os meus dedos
chamando de ordinário
quem eu amo em segredo...


http://recantodasletras.uol.com.br/


Holocausto


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/frejat.doislados.wav

"São dois lados dessa moeda
Chamada obsessão
Amor e ódio moram juntos
Dividindo esse coração...
O pecado mora ao lado

Café na cama, traição
Abraçados, arame farpado
Não há luz sem escuridão..."
(Frejat)


Holocausto
Maria Quitéria


Quão de mim atravessará as paredes
e sairá, ao mundo, abrindo as janelas
dessa torre de marfim e suas redes
onde me aprisiono em vidas paralelas;
quão de mim vislumbrará horizontes
e seguirá, impávida, como se inocente,
traçando sexo e luxúria em tantas pontes
num esgar dorido a me trincar o dente;
quão, quais, em quantas me reparto,
me alvoroço, me apresento, me assombro,
em qual de mim, hoje, farei um parto
e renascerei da cinza de um escombro;
quem me apontará o dedo e me culpará,
quem me ofertará a chave da algema,
quem, com delicadeza, me acariciará,
quem ofertará o ombro e dirá: não tema?

por não saber me revisto da armadura
e o sorriso estampa a minha face em defesa,
a espada desembainhada em proteção dura
na devassidão que deito em cama e mesa
dessas escadas por onde subo e vou ao céu
- distando a torre a um longínquo ponto -
camuflando o que sou: tão doce, tão mel,
com tijolos do meu eu em seu confronto.

Simultâneo:

http://recantodasletras.uol.com.br/
http://versosprofanos.blogspot.com/

Feito você



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/nando_nao_vou_me_adaptar.mid



Feito você
Maria Quitéria

"Eu não caibo mais nas roupas
Que eu cabia
Eu não encho mais a casa
De alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia..."
(Arnaldo Antunes)


Você falou de porrada
versou, fez sexo
disse coisa sem nexo
me deu letra de pancada
você chorou a pitanga
fez cara de coitadinho
de cão chupando manga
e mandou ver no sapatinho
você sacaneou de montão
iludiu pra cacete
tinha macete
e me dava um puta tesão
você sente a passagem
se curva ao tempo ido
mas ainda é bandido
e tem penca de bagagem
não vou apontar
nem falar de defeito
fico até meio sem jeito
de dizer e me espelhar
e igual a você também ando
meio que em desequilíbrio
falta o lance - trem e trilho-
mão e luva e vôo em bando
feito você eu também não
situo nem tenho a mesma cara
agora tô numas de solidão
e só você desperta minha tara
ando naquelas sem graça
de não entender nem sacar
também não vou me adaptar
e perdi o pique da pirraça
de afrontar bagaça
sentar no meio fio
tomar uma branca no rio
e encarar tudo na raça.

Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/

http://versosprofanos.blogspot.com/

Das ausências


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/estrelas.mid


Das ausências
Maria Quitéria


Tua palavra bailava nas minhas manhãs
- era a poesia que eu decifrava -
que me acalentava no delírio das febres terçãs
como se fossem mandamentos e alimentava
meu corpo e meu dia, por todo o dia,
por todo o tempo, por todo meu momento
meu carnaval fora de época, minha folia
minha festa, minhas águas em movimento
tua alegria escrita em forma de desejo
era a manteiga deslizando no meu pão
a saliva escorregando, toda macia, no beijo
a luva que cabia na palma e dedos da minha mão
tua palavra brilhava como a estrela Dalva
- que ainda ficava piscando pelo dia -
depois de abraçar a noite de lua mais alva
na minha letra torta e de imprecisa poesia
teu verso era a lona do meu circo, a conta do terço
o feitiço que em meu caldeirão eu misturava
era como fosse meu primeiro amor e não esqueço
como o primeiro gozo que, sem saber, eu já gozava...

"...quando eu não estiver por perto,
canta aquela música que a gente ria,
- é tudo o que eu cantaria -
e quando eu for embora, você cantará..."


Simultâneo:
http://recantodasletras.uol.com.br/

http://versosprofanos.blogspot.com/


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Língua em fio de navalha



Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quiteamando/sideral.wav

Língua em fio de navalha
(Maria Quitéria)

Tenho alguns piercings e tatuagem
e uma voragem
de viver aquele homem
que me consome
me mata de fome
me deixa em inanição
sem tesão
detenta
da sua algema-poesia
que é dia
noite
açoite
e fantasia
Tenho uns desejos de cama e sedução
vontade de mão
e pau entre as coxas
de umas mordidas roxas
dos dentes nos bicos
os picos
do gozo nos meios
os seios acobertando
o membro deslizante
do amante
metendo
Tenho uma cantiga e um tom
vermelho batom
que a boca abarca
desejo de deixar marca
vermelha
na cueca branca
e morder uma anca
uma bunda peluda
a mão na taluda
punhetando na banca
Tenho umas coisas muito loucas
vontades não poucas
de viver paixão
de sentir nas bocas
- de baixo e de cima -
um clima
de devassidão
Tenho umas querências de loucuras
dores sem curas
de encontrar um grão
que germine
não termine
um homem que, enfim, me roube
daquele que não me quis ou coube
e que levou meu coração...

Simultâneo:


ENQUANTO ME JULGAS


ENQUANTO ME JULGAS
(Maria Quitéria)

"eles riem de mim porque sou diferente,
eu rio deles porque são todos iguais."
(Kurt Cobain)

E u vou seguindo reto o meu caminho torto,
N ão recuo, vivo de fazer alarde e não me comporto;
Q uero é mais algazarra, alegria e muito mais folia,
U m é bem pouco, dois é quase bom e três é demais!
A ssim levo na farra e com gosto o meu dia
N em dando trela e, muito menos, bola pros tais.
T enho sim, um desejo imenso que me arrasta;
O uso, me atrevo, falo às claras e a minha casta,

M ais me agracia em vitórias no ringue da minha luta;
E é isso mesmo: pode me chamar de puta!

J ocosa, me desnudo e aceito com o maior gosto;
U m elogio desses é pra ter no peito como medalha
L ouvado até, o pódio mais alto, a subida no posto,
G algado pela competência de quem sabe fazer bandalha
A ceitando e me deliciando do tesão que tenho de sobra,
S eguindo sem ser prostituta: porque puta dá e não cobra.

Simultâneo:


Cheio de vazio


Ouça:
http://geocities.yahoo.com.br/quitelos/cheiodevaziopm.wav

Cheio de vazio
(Maria Quitéria)


Tem lugares onde o mar é bem mais límpido e claro,
o céu é cheio de nuvens branquinhas, branquinhas;
mas o coração fica ali parado, não tem disparo
nem os olhos brilham de desejo nas esquadrinhas,
o corpo lasseia e sente o impacto do sol e seu fogo
queima a carne e a pele dando um tom mais dourado,
mas não há movimento da rainha e do rei nesse jogo,
como um xadrez da natureza, sem cavalo enviesado;
o sangue corre e pulsa uma quentura entre as coxas,
uma vontade de rolar na areia e sentir um abraço,
- a boca seca por falta da saliva de um beijo -
e as curvas balanceiam em seu passo mais lasso,
como se estivessem sem atino, sem rumo, frouxas
e todo o corpo sente o impacto das ondas duras
batidas em espumas entre as pernas solitárias
querendo aquele homem em meio ao sal dessas brumas
deslizando suas águas de sêmen, tão arbitrárias,
e se faz a magia do retorno e os olhos mais que buscam
o corpo sente a aproximação fugaz liberando a saudade,
pois nenhum lugar do mundo traz essas luzes que ofuscam
e a delícia de saber que mesmo distante, em verdade,
mesmo não o tendo nos gozos que em mim triscam,
estou respirando com ele o mesmo ar dessa cidade...


Simultâneo: